[PUBLICOA ARTIGO] ”Foco na incoerência” por Paulo Nóbrega

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Não é raro ouvirmos a expressão ‘falta foco’, quando se quer falar da ausência de atenção ao mais importante, à essência das coisas, das pessoas, das situações. Eu mesmo, por diversas vezes, venho repetindo esse mantra diante da percepção de tamanha dispersão mental vista nos mais diferentes cenários. Falta bom senso, falta determinação, falta a valorização de princípios, falta a correta eleição do que, de fato, é prioritário, falta… foco!

Mas agora creio numa evolução do pensamento acima, se me permitem. Foco, até ainda há, o problema é em quê está se focando. Os dias têm revelado lentes completamente desfocadas dos cidadãos sobre a realidade, sobre as decisões tomadas, as avaliações, julgamentos, rotinas, sobre o outro.

Pra começar, é preciso saber se o tal foco está nesse plano, ou em outro. Sim, porque, diante da vida paralela ‘promovida’ pelas redes sociais, onde todos são o melhor daquilo que de fato não são na vida que conta, a real, o substancial das discussões, atitudes e relações humanas deixa de ser natural, orgânico, e passa a ser um mero devaneio submetido à escravização intelectual e emocional.

Focar no fundamental exige pés no chão, olho no olho, pele com pele. Exige a visão aguçada da responsabilidade, da preocupação com o coletivo, com o futuro de cada um a partir de suas próprias atitudes.

Enquanto a atenção máxima for dada à marca de roupa, de carro, ao número de seguidores virtuais, à quantidade de festas e eventos sociais, aos cliques postados aos rodos, a você como referência de superioridade, as lentes do verdadeiro foco permanecerão trincadas e borradas. Danificadas e comprometidas, à espera de peças novas.

Que Deus nos ajude a providenciar tantos reparos na oficina da alma.

Paulo Nóbrega

Foto: divulgação