Cirurgiões realizam o primeiro transplante de fígado de porco para humano do mundo

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A operação, realizada na China, utilizou um fígado de porco que foi geneticamente modificado para reduzir a chance do órgão ser rejeitado pelo sistema imunológico humano.

O órgão produziu com sucesso bile e proteínas essenciais em um paciente com morte cerebral, mas ainda vivo.

Os parentes pediram que o experimento fosse interrompido após 10 dias, mas os pesquisadores dizem que o órgão poderia ter funcionado por mais tempo.

Eles saudaram o transplante como uma “grande conquista”, e especialistas europeus o chamaram de um marco significativo que pode salvar vidas no futuro.

A equipe cirúrgica do Hospital Xijing, em Xi’an, coletou o fígado de um porco miniatura Bama que teve seis genes-chave modificados para melhorar a compatibilidade de um órgão quando transplantado para um humano.

De acordo com os resultados publicados na revista científica Nature, o fígado funcionou normalmente, com bom fluxo sanguíneo e sem sinais de rejeição.

O professor Lin Wang, que liderou a equipe de pesquisa, disse que o transplante foi realizado com total aprovação ética das autoridades médicas e consentimento da família do paciente.

“A cirurgia foi realmente um sucesso”, disse ele em entrevista coletiva.

“O fígado do porco funcionou muito bem no corpo humano. Então é uma grande conquista.”

Corações e rins de porcos geneticamente modificados já foram transplantados para um punhado de pacientes vivos. A maioria morreu semanas após a operação, mas duas pessoas que tinham rins de porco sobreviveram nos Estados Unidos.

O professor Wang disse que um transplante de fígado de um porco é muito mais complicado.

“O coração é apenas uma bomba, o rim só produz urina”, disse ele.

“Mas o fígado tem muitas funções, então esse é um grande obstáculo para resolvermos.”

Vários grupos de pesquisa estão fazendo experiências com porcos criados em instalações superlimpas para doação de órgãos.

Porcos são usados ​​porque seus órgãos são similares em tamanho e estrutura aos de um humano. Mas genes-chave precisam ser modificados para reduzir o risco de serem atacados pelo sistema imunológico de um paciente após o transplante.

Os pesquisadores chineses propõem usar órgãos de porco como suporte temporário, seja para aliviar a pressão sobre o fígado do paciente para que ele possa se regenerar, ou para dar mais tempo para encontrar um órgão permanente de um doador humano adequado.

Atualmente, há mais de 600 pacientes na lista de espera para um transplante de fígado no Reino Unido. A espera média por um órgão de um doador falecido é de três a quatro meses.

Ivan Fernandez Vega, professor de anatomia patológica na Universidade de Oviedo, na Espanha, descreveu o experimento como um “marco” importante.

“As implicações clínicas são altamente relevantes, pois otimizar essa abordagem pode expandir o conjunto de órgãos disponíveis e salvar vidas em emergências hepáticas”, disse ele.

A equipe chinesa planeja repetir o experimento em mais pacientes com morte cerebral, por períodos mais longos, antes de progredir para os primeiros transplantes clínicos em pessoas vivas.

Fonte: Sky News – Foto: pixabay