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Protótipo desenvolvido no Reino Unido imita o funcionamento das guelras para retirar partículas de plástico da água; tecnologia ainda está em fase experimental
Um peixe robótico desenvolvido no Reino Unido está chamando atenção por uma proposta que parece saída de um filme de ficção científica: nadar pela água e retirar microplásticos do ambiente.
Batizado de Gillbert, o robô foi desenvolvido por pesquisadores da University of Surrey a partir de uma ideia apresentada pela estudante Eleanor Mackintosh em uma competição de robótica inspirada na natureza. O projeto vencedor foi transformado em um protótipo funcional com o objetivo de ajudar no combate à poluição causada pelo plástico.
Apesar de ter ganhado nas redes sociais o apelido de “peixe que come plástico”, a tecnologia funciona de uma maneira um pouco diferente — e igualmente interessante. O Gillbert não digere nem decompõe o plástico. Ele utiliza estruturas semelhantes a guelras para fazer a filtragem da água e capturar partículas de microplástico, que ficam retidas em um sistema interno para posterior retirada.
Como funciona?
O conceito aproveita a própria movimentação do peixe robótico pela água.
Enquanto nada, o equipamento permite que a água passe por seu sistema de filtragem. As estruturas semelhantes a guelras funcionam como uma espécie de peneira, retendo partículas plásticas presentes na água.
A proposta é especialmente relevante porque os microplásticos são extremamente difíceis de localizar e remover utilizando métodos convencionais.
Pesquisas realizadas no Reino Unido mostram a dimensão do problema. Um estudo com três espécies comerciais de peixes encontrou microplásticos no trato gastrointestinal de 41,5% dos animais analisados em áreas dos rios Tâmisa e Stour.
Um robô inspirado na natureza
A criação do Gillbert faz parte de uma tendência crescente de utilização da chamada robótica biomimética, área que busca reproduzir características e estratégias encontradas nos seres vivos.
Nesse caso, o formato e o sistema de filtragem foram inspirados justamente no funcionamento dos peixes.
Segundo a Universidade de Surrey, o objetivo do projeto é contribuir para encontrar novas formas de controlar a poluição provocada pelo plástico nos cursos d’água. A instituição descreve o robô como um dos primeiros passos de uma possível nova geração de soluções para o problema.
Ainda não é uma solução para limpar os oceanos
Embora as imagens do peixe robótico tenham causado grande repercussão, é importante destacar que o Gillbert ainda é um protótipo experimental.
Ou seja, não se trata de uma frota de robôs já trabalhando em larga escala nos oceanos, nem de uma máquina capaz de transformar plástico em outra substância.
A tecnologia atualmente demonstrada tem como principal função filtrar e coletar microplásticos. A afirmação de que o robô “come” ou “digere” plástico é uma simplificação que viralizou nas redes sociais, mas não corresponde ao funcionamento real do equipamento.
Por que a tecnologia chama tanta atenção?
O grande diferencial está na possibilidade de levar a coleta de microplásticos para ambientes onde equipamentos maiores ou sistemas convencionais de limpeza podem ter dificuldade de atuar.
Um robô pequeno, inspirado em um peixe e capaz de se movimentar pela água, poderia futuramente ser adaptado para monitoramento e coleta em diferentes ambientes aquáticos.
Ainda são necessários novos testes, aprimoramentos e estudos para determinar até onde essa tecnologia pode chegar. Mas o conceito demonstra como a combinação entre robótica, engenharia e inspiração na natureza pode criar novas ferramentas para enfrentar um dos maiores desafios ambientais do planeta.
Mais do que um “peixe que come plástico”, o Gillbert representa uma tentativa de transformar a própria dinâmica dos animais aquáticos em uma ferramenta tecnológica para encontrar e retirar microplásticos da água.
E, diante da crescente presença desses resíduos nos ambientes aquáticos, iniciativas como essa podem representar um passo importante na busca por soluções mais inteligentes para combater a poluição.
Foto: divulgação