63% dos pais acreditam que a qualidade do ensino entre os alunos que tiveram aulas remotas, diminuiu. 22% relataram que permaneceu igual e apenas 8% informaram que houve melhora.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto DataSenado, divulgada na última quarta-feira (12), contou com a participação de 2,4 mil brasileiros entre os dias 24 e 28 de julho por telefone. O levantamento baseou-se na realização das aulas remotas proporcionadas pelas escolas públicas e privadas.
A amostragem apontou que para 63% dos pais ou responsáveis ouvidos, a qualidade do ensino entre os alunos que tiveram aulas remotas, diminuiu. Outros 22% relataram que a qualidade das aulas permaneceu igual e apenas 8% informaram que houve melhora no ensino com a mudança de formato.
A maioria dos ouvidos na pesquisa, cerca de 75%, relataram que preferem que as aulas voltem a ser presenciais quando a pandemia pelo novo coronavírus acabar. Na contramão dos que desejam o retorno presencial, Alessandra Maia, servidora pública, mãe de Yanne de 9 anos e de Alice de 4 aninhos, relata que prefere as aulas online, pois propicia além do conteúdo, conhecimento tecnológico e aprendizado diferenciado às crianças.
“No início, eu como mãe, fiquei insegura a este novo desafio. Contudo, achei que as meninas se adequaram muito bem a esta nova plataforma educacional. As aulas que são on-line, são interativas, participativas e atrativas. Elas adoram! Por sinal, hoje, até prefiro, porque podemos revisar o conteúdo na hora que quiser”, disse.
Diante da nova realidade que a pandemia trouxe, às escolas precisaram se readequar. Professores e estudantes se reinventaram tanto na forma de aprender como na forma de ensinar, é o que conta Sheila Mourão, Supervisora de Ensino e Aprendizagem do Colégio Dáulia Bringel. Confira a entrevista com a Pedagoga, especialista em Psicopedagogia e mestranda em Ciência da Educação. 👇
➡ Como a escola está se readequando para aderir ao ensino híbrido?
A Escola fez vários investimentos para garantir a continuidade do processo de ensino e aprendizagem. O ensino híbrido não é novidade, apesar de ter se popularizado nesse período de pandemia. Mas na verdade ele faz parte do que chamamos na educação de metodologias ativas, são estratégias de ensino que visam preparar o cidadão para o mundo do trabalho para o século XXI. É estudado e praticado por educadores de todo o mundo há mais de 20 anos. A modalidade híbrida, ou seja, misturada, vai começar a funcionar realmente quando as escolas forem liberadas para o ensino presencial. Nessa ocasião será dada àqueles que desejarem a oportunidade de estudarem de forma presencial e on-line dentro do mesmo processo.
Para isso acontecer de forma satisfatória as Escolas em geral têm investido em tecnologia (hardwares e softwares), em treinamento de pessoal e em informação e formação das famílias e estudantes.
➡ Segundo pesquisa realizada pelo DataSenado, 63% dos pais acham que a qualidade do ensino entre os alunos que tiveram aulas remotas, diminuiu. A que se deve?
Para falarmos sobre a qualidade do ensino remoto (on-line) teríamos que falar sobre os diferentes segmentos. Enquanto que para a Educação Infantil (até 5 anos) não é a modalidade mais adequada por se tratar de um público que necessita experienciar para aprender, na outra ponta temos os adolescentes e jovens que têm tido experiências e novos aprendizados que no ensino tradicional não teriam. Eles pertencem à geração que faz praticamente tudo via internet: pede comida, chama táxi, faz compras, namora… Então para esse público o ensino se tornou diferente, não necessariamente perdeu a qualidade. É preciso também ressaltar que esse investimento em tecnologia que várias escolas e famílias fizeram, não foi possível a todos.
➡ Como as escolas estão vivenciando essa nova realidade tendo a tecnologia como arma primordial nesse processo de conhecimento?
A atual geração de educadores precisou em sua maioria ser treinada para esse trabalho. Para alguns foi bem tranquilo para outros foi mais trabalhoso, porém numa coisa todos concordam: as possibilidades que o ensino remoto nos trouxe não serão abandonadas pós-pandemia. Sou muito otimista nesse sentido acredito que muitas lições aprendidas agora ainda serão aplicadas por muito tempo.
➡ Como esses dados pode contribuir para que o ensino permaneça de excelência?
Quando nós, educadores, nos comprometemos a educar para um mundo melhor, educar para a contemporaneidade e para o futuro precisamos considerar o momento atual como única chance. Trabalhamos valores, habilidades e competências voltados para a superação, para a autonomia, para a gestão de prioridade e para empatia. Aprendemos a duras perdas como é importante cuidar do outro e de si. O cuidado com a saúde mental e o respeito às situações-problema advindas dela, nunca tiveram tanto espaço para discussão e respeito. Então todos os fatos foram e estão sendo momentos imperdíveis de estudo, pesquisa e muito aprendizado.
Com informações da CMFor por Rochelle Nogueira – Foto: Arquivo Pessoal