O Mundo Popular Cultural com Antônio Nóbrega: 50 anos do Movimento Armorial

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No dia 10 de outubro, às 19h, o 10º Interculturalidades – Movimento Armorial 50 Anos recebe Antônio Nóbrega com a live artística  “O mundo cultural popular”

Antônio Nóbrega, o mais eletrizante dos brincantes armoriais, é quem jura de pé junto: “Música brasileira, aquela que verdadeiramente deveria ser representante desse nome, teria que, de alguma forma, propor o casamento dessas duas linhagens culturais que marcam a cultura brasileira: a tradição ocidental ou europeia e a popular brasileira. Acho que o compositor brasileiro – na medida em que ele se utiliza dessas duas pistas, desses dois eixos – traduz em plenitude o espírito da música brasileira. É isso que procuro fazer através do meu trabalho”.

Quem procura, acha. E já se vão 50 anos desde o dia em que “o cavaleiro da alegre figura”, Ariano Suassuna, convidou Nóbrega para integrar o Quinteto Armorial. De lá para cá, na fusão fraterna e criativa de um com o outro, já não se contam quantos romances, poemas, martelos agalopados, excelências e toques instrumentais nasceram marcados pela visão de ambos acerca de uma região seca, áspera e pobre transfigurada no “mundo mágico, onírico e redentor do Sertão”.

Antônio Nóbrega escreveu, rendendo loas: “Em 1970, a partir do convite de Ariano Suassuna para integrar o Quinteto Armorial, eu comecei a me interessar pelo universo dos brincantes populares. Posso dizer que tomar conhecimento dos brincantes ou folgazões, dançadores e músicos populares foi, naquela ocasião, como se eu tivesse sendo acometido de uma espécie de profundológico abalo sísmico cultural.

Imaginem novamente vocês que até aquele momento eu nunca tinha ouvido falar de bumba-meu-boi, maracatu, rabeca, cantadores, coco, embolada, mateus, frevo etc. Aquele era para mim realmente um “admirável mundo novo” que se descortinava. Era o próprio realismo mágico em pessoa se revelando para mim”.
Para ele, aquele período corresponderia mesmo a uma espécie de “iniciação aos mistérios do povo brasileiro”. “Uso, aliás, a palavra mistério glosando um pouco aquele sentido dado a ela pelos antigos gregos quando iniciavam-se nos mistérios eleusinos. Através desses mistérios celebravam o regresso de Perséfone, representação mítica do retorno das plantas e da vida à terra no ciclo da primavera. De certa forma, era isso o que eu sentia mesmo: uma espécie de retorno ou reencontro comigo mesmo, com as forças telúricas e vitais da minha natureza primaveril, através do rico e caudaloso imaginário popular. Durante vários e vários anos esse imaginário cultural por meio de cantos, danças, ritmos, entremeios teatrais, etc., me tomaria até à medula”, poetiza Nóbrega. No compasso de seu corpo ágil e seu verbo encantado, o “Mundo cultural popular” abre-se em flor de cacto, entre palavras e sentimentalidades que, mesmo em meio a longas estiagens existenciais, não morrem.

10/10 ÀS 19H – LIVE ARTÍSTICA “O MUNDO CULTURAL POPULAR” COM ANTONIO NÓBREGA

No dia 10 de outubro, às 19h, o 10º Interculturalidades – Movimento Armorial 50 Anos recebe Antônio Nóbrega com a live artística “O mundo cultural popular”.
Nesta live cantada e versada, o multiartista e brincante Antônio Nóbrega retoma sua experiência inicial ligada ao movimento armorial, para depois traçar os novos percursos de linguagem que o enredam à pesquisa das expressões vivas da cultura popular. Mediação Leonardo Guelman e Clara Santana.

SOBRE ANTÔNIO NÓBREGA
Nasceu em Recife, Pernambuco, em 1952. Sua iniciação artística se deu através do violino, instrumento que sempre o acompanhará em suas diversas atividades artísticas. Entre 1968 e 1970, já participava da Orquestra de Câmara da Paraíba e da Orquestra Sinfônica do Recife. Em 1971 foi convidado por Ariano Suassuna para integrar o Quinteto Armorial, grupo precursor na criação de uma música de câmara brasileira de raízes populares. Fruto do seu envolvimento com o universo da cultura popular brasileira, a partir de 1976, começou a desenvolver um estilo próprio de criação em artes cênicas e música. A lista dos seus espetáculos é longa, dentre eles estão A Bandeira do Divino, A Arte da Cantoria, O Maracatu Misterioso, O Reino do Meio-Dia, Figural, Brincante, etc. Em 1993 apresentou o Na Pancada do Ganzá, lançando respectivo CD. Em 1997 foi a vez de Madeira Que Cupim Não Rói, espetáculo e também CD. No ano de 1999, participou do Festival D’Avignon (França) com Pernambouc, preparado especialmente para o evento.
Em 2000, estreou em Lisboa O Marco do Meio-Dia, apresentando-o também em Paris, Hannover e em mais de vinte cidades brasileiras. O ano de 2002 foi marcado pelo lançamento do espetáculo Lunário Perpétuo e por DVD homônimo. Em 2004, em parceria com o cineasta Belisário Franca, realizou a série Danças Brasileiras, apresentada no Canal Futura.
Entre 2006 e 2007, com o título de Nove de Fevereiro, lançou espetáculo, 2 CDs e DVD dedicados ao frevo. Ainda em 2007, criou um espetáculo inteiramente dedicado à dança: Passo. Nessa mesma trilha vieram Naturalmente – Teoria e jogo de uma dança brasileira – com respectiva versão em DVD, produzido pelo SESC –, Húmus e Pai, ambos interpretados pela Cia Antonio Nóbrega de Dança, fundada em 2012.
Tem se apresentado por inúmeros países, entre eles Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Cuba, Rússia e França. Nóbrega é detentor de inúmeros prêmios, entre os quais o TIM de Música, SHELL de teatro, Mambembe, APCA, Conrado Wessel, etc. Recebeu por duas vezes a Comenda do Mérito Cultural.
Com sua mulher, Rosane Almeida, idealizou e dirige, em São Paulo, o Instituto Brincante, local de cursos, apresentações, oficinas, mostras e encontros onde o casal procura apresentar, dinamizar e difundir aspectos da cultura brasileira pouco ou não conhecidos. Em reconhecimento à sua obra, ainda em 2008, recebeu o título de Cidadão Paulistano em cerimônia na Câmara dos Deputados de São Paulo.
Em 2014, juntamente com o frevo – patrimônio imaterial da humanidade – foi o homenageado do Carnaval do Recife. Nesse mesmo ano, no mês de dezembro, o filme Brincante, que relata sua trajetória artística, é estreado em várias salas do país. Tanto o filme como os seus DVDs, todos foram dirigidos pelo fotógrafo e diretor Walter Carvalho. Em 2015 Brincante conquista o Prêmio de Melhor Filme do Ano, categoria documentário, pela Academia Brasileira de Cinema. Em novembro é homenageado com o título de Cidadão São Paulo pelo Catraca Livre. Atualmente se dedica a escrever uma obra ensaística sobre a dança brasileira e prepara mais um novo espetáculo.
10º INTERCULTURALIDADES – MOVIMENTO ARMORIAL 50 ANOS
Em sua 10ª edição, o Interculturalidades, um dos projetos mais importantes da UFF e referência no cenário nacional, se reinventa coletivamente e de modo colaborativo para gerar reflexões em torno do Brasil profundo e real, promovendo diálogos que evocam as artes do povo, a partir das matrizes ameríndias, negras e ibéricas. Um convite para decifrar os signos e os encantos do Armorial, que convocam o público para uma experiência de fruição artística das mais trepidantes e inquietantes.
10º Interculturalidades – Movimento Armorial 50 Anos é uma realização da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Centro de Artes da UFF.
PROGRAMAÇÃO DIVERSIFICADA UNINDO ARTE E FORMAÇÃO
Um conjunto de atrações com mesas de debates, lives artísticas, exposições, mostra de cinema e apresentações musicais. Assim se apresenta a programação completa do 10º Interculturalidades – Movimento Armorial 50 Anos, que acontecerá de forma online e gratuita no canal do Youtube da UFF (www.youtube.com/centrodeartesuffoficial).

SERVIÇO
10º Interculturalidades / 50 anos do Movimento Armorial
Realização: Universidade Federal Fluminense / Centro de Artes UFF
De 07 a 18 de outubro de 2020
Evento online e gratuito, aberto ao público
Youtube do Centro de Artes UFF: youtube.com/CentrodeArtesUFFOficial
Programação completa aqui
Pasta com fotos da programação para imprensa

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Mais informações: www.centrodeartes.uff.br

FICHA TÉCNICA
Coordenação Geral: Leonardo Guelman
Consultoria em curadoria Armorial: Carlos Newton Junior
Curadoria em Artes cênicas: Inêz Viana
Curadoria em Música: Ana de Oliveira e Sérgio Ferraz
Curadoria em Circo: Leticia Gulart
Curadoria em Artes Visuais: Alan Adi
Curadoria em Arte e Pensamento: Leonardo Guelman e Carlos Newton Junior
Produção Executiva: Juliana Amaral
Acessibilidade: Marianna Kutassy
Designer gráfico: Pablo Rossi

Foto: divulgação