A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, liberou no Brasil o uso emergencial de dois imunobiológicos para proteger contra o coronavírus – a Coronavac e a AstraZeneca. As duas vacinas estão sendo produzidas no Brasil, pelo Instituto Butantã e Fiocruz, respectivamente, em parceria com laboratórios estrangeiros. A primeira foi descoberta por uma empresa privada chinesa, que é a Sinovac e a outra foi produzida no Reino Unido pela Universidade de Oxford e o Laboratório AstraZeneca.
>>Mas qual a importância e eficácia mesmo desses dois imunizantes?
Segundo o professor da Universidade Federal do Ceará, Edson Teixeira, a vacina é uma descoberta que revolucionou a medicina e a humanidade. Ele destaca a descoberta da vacina que aconteceu na Inglaterra pelo médico Dr. Edward Jenner, conhecido como ‘pai da imunologia’ . “Ele observou a importância de se utilizar determinadas fórmulas de microrganismos, semelhantes aos microrganismos que causam doenças, para proteger os indivíduos. A partir da observação dele é que nós temos hoje, depois de muitos anos, a erradicação da varíola que é uma doença horrível, uma doença viral terrível que tinha uma letalidade alta e causava comorbidades horrorosas, então é muito importante mostrarmos à nossa população que as vacinas melhoram a qualidade de vida, aumentaram o nosso tempo de vida, assim como os antibióticos controlaram ou erradicaram várias doenças que eram fatais,” pontuou o professor.
Com relação as vacinas, Teixeira observa que a CoronaVac é uma vacina de vírus inativado, ou seja, utiliza em sua fórmula o vírus Sars-Cov-2 inativo, incapaz de produzir a doença, mas como ele contêm pedaços originais do vírus, moléculas, ele estimula o sistema imune. “Com relação a essa vacina nós temos a eficácia global para todos os casos de mais de 50% e um percentual maior para casos moderados e graves, apesar de que o número de indivíduos que tornaram-se graves no protocolo foi pequeno. De toda forma, em caso de pandemia, vacinas que tenham acima de 50% de eficácia, são muito bem-vindas, sobretudo nesse momento que estamos vivendo de poucas vacinas,” avalia.
AstraZeneca
Já no caso da AstraZeneca, diz que é produzida com vetor viral. “Utiliza um adenovírus, isto é, um vírus que não se replica. Esse vírus leva a informação do Sars-CoV-2 para o indivíduo produzir anticorpos. O fato é que, no caso da Oxford que tem associação com a Fiocruz, após duas semanas da segunda dose, assim como da CoronaVac, você tem 70% de proteção global. Na verdade, o que nós temos que tentar esclarecer à população é que essas pequenas variações de eficácia, não devem ser levadas em consideração. A pessoa deve receber a vacina que tiver acesso, porque nesse momento precisamos vacinar um grande número de pessoas para tentar desafogar os sistemas de saúde e a partir dai verificar se essas vacinas também, se além de proteger contra casos graves, se elas protegem contra a infecção” enfatiza.
O Vacinômetro dessa segunda-feira (1°) mostra que 108.604 pessoas já foram vacinadas no Ceará contra Covid-19. Em Fortaleza foram 42.961 doses aplicadas das 92.996 recebidas, o que representa 46,20%.
Fonte: CMFor por Marcelo Raulino – Foto: Divulgação Prefeitura de Fortaleza