Data de 25 de março de 1884, dia da Data Magna no Ceará, traz a marca ao Ceará de pioneiro no país na concessão da abolição de seus escravos. A data alusiva antecede em quatro anos a Lei Áurea instituída pela princesa Isabel em 13 de maio 1988, que também decreta o fim da escravidão no Brasil.
O líder do movimento abolicionista no Ceará, Francisco José do Nascimento, também conhecido como Dragão do Mar ou Chico da Matilde, se tornou o ator principal deste enredo. Em 1881, o líder jangadeiro e prático do porto de Fortaleza, convenceu os colegas a se recusarem no transporte de negros da província vendidos ao sul do Brasil. A ação repercutiu em todo país e foi ganhando força em outras estados.
“A abolição precoce do Ceará tem sua controvérsia, pois mesmo após a instituição da data ainda havia escravidão na província. Na verdade, o Ceará monumentalizou a data e tem na figura do Dragão do mar a liderança e a ideia de liberdade. Essa marca não tem a participação efetiva do movimento negro e foi conduzida pelo poder dominante”, comentou Airton de Farias, professor e historiador.
Segundo Airton, não foi por acaso que o Ceará foi o primeiro a decretar abolição da escravatura. Ele explicou que o fato foi utilizado como propaganda, pois o título impactaria em manchetes em todo o país e não foi mera obra do acaso.
“O Ceará tinha uma quantidade menor de negros em referência a outros estados do Brasil pelo fato de ser um local pobre. A maioria dos escravos daqui eram vendidos pelo tráfico negreiro para os donos de cafezais no sudeste do país. A abolição no Ceará encontrou enfrentamento e resistência e Dragão do Mar foi quem pagou o preço por encabeçar esse movimento”, declarou.
Após 138 anos da Data Magna, o dia alusivo é utilizado pela comunidade negra como momento de reflexão, motivação e estímulo na firmação de direitos igualitários instituídos na constituição. A data é símbolo de resistência, liberdade e luta por garantias.
“Creio que as datas podem ser ressignificadas. O povo negro pode dar outro sentido a esse período com ações contra o racismo e o preconceito. Desse tempo pra cá, o racismo continuou a existir e hoje somos seres com racismo ainda em desconstrução”, disse o historiador lembrando que a escravidão durou mais de 3 séculos e que ainda existem feridas a serem cicatrizadas.
Cortejo de Maracatus

Com acesso aberto e gratuito, 14 agremiações irão se apresentar na Praia de Iracema, em agenda que terá início dia 25/3 às 17 horas. A concentração ocorrerá no Centro Cultural Belchior (CCBel), localizado na Rua dos Pacajus, e segue até o Estoril, na Rua dos Tabajaras, onde as rainhas serão coroadas.
Participam do evento os maracatus Solar, Rei do Congo, Nação Baobab, Nação Palmares, Obalomi, Vozes da África, Filho de Iemanjá, Rei Zumbi, Nação Pici, Axé de Oxossi, Nação Iracema, Rei de Paus, Nação Fortaleza e Az de Ouro.
A programação ocorre no Dia do Maracatu, data criada por meio da Lei Municipal 5.827/1984. A celebração busca valorizar e divulgar o Maracatu Cearense em Fortaleza, exaltando-o como a autêntica manifestação da cultura local. O dia 25 de março também rememora a Carta Magna, um marco para o fim da escravidão.
O Maracatu Cearense foi registrado como Patrimônio Imaterial de Fortaleza no ano de 2016 e o dossiê completo sobre, feito pela Prefeitura de Fortaleza através da Secretaria Municipal de Cultura de Fortaleza (Secultfor), pode ser acessado gratuitamente no Canal da Cultura do Portal da Prefeitura
Feriado no Ceará
Estabelecido como feriado estadual, a Data Magna do Ceará é comemorado em 25 de março. O dia foi firmado como feriado estadual em 6 de dezembro de 2011, na gestão do ex-governador e atual senador Cid Gomes (PDT), em celebração ao marco histórico do fim da escravidão no Ceará.
Com informações da Prefeitura de Fortaleza.
Fonte: CMFor por Rochelle Nogueira – Foto: Agência Senado