[PÚBLICOA SAÚDE] Infectologista alerta sobre o risco de dengue, chikungunya e zika em gestantes

Compartilhe Essa notícia

Com o alerta do aumento do número de casos de arboviroses, grávidas devem prestar ainda mais atenção nas medidas de prevenção. Dengue, chikungunya e zika vírus, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, podem apresentar riscos à saúde da gestante e/ou do bebê.

O Dr. Keny Colares, infectologista e consultor da Escola de Saúde Pública do Ceará, explica que para a gestante a dengue é considerada fator de risco de complicações caso tenha tendências hemorrágicas. E apesar da maior parte das gestantes conseguirem evoluir bem, continuam sendo uma categoria de atenção maior nos atendimentos de saúde.

Já a zika é uma doença que tende a ser menos grave nos adultos, que raramente têm complicações, incluindo as gestantes. “Mas quando a gente passa para o bebê, a coisa se inverte. O vírus que está mais relacionado a má formação é o da zika, relacionado à síndrome congênita, quando como tivemos centenas de casos em 2015, 2016, durante uma epidemia de zika”, alerta o infectologista.

Ainda, segundo o médico, “até os dias de hoje não está 100% claro porque algumas crianças apresentaram má formação e outras não, e porque no Brasil tivemos tantos casos e em outros países onde a zika também passou, não teve tantos”.

“Felizmente, não está havendo aumento de casos de notificações de zika nesse período, e sim de dengue e chikungunya. A dengue, de uma forma geral, considera-se que não é transmitida ao bebê, apesar de alguns estudos que insinuarem que pode haver algum impacto, como baixo peso ao nascer, risco maior de abortamento”, informa Keny Colares.

No caso da mãe com chikungunya muito próximo do parto, se passar para a criança, através do canal do parto, pode gerar complicações mais graves para o recém nascido com o envolvimento do sistema nervoso. O caso não se aplica durante toda a gestação.

Prevenção

O consultor da ESP-CE reforçou que a melhor forma de controlar isso é a prevenção, combatendo focos do mosquito em água parada. “Para a utilização de repelentes é necessário verificar se o produto é liberado para o uso de gestantes, já que nem todos são. Também é recomendado a utilização de roupas mais longas, cobrindo pernas e braços, além de telas nas janelas das casas”.

Prefeitura distribui repelente para gestantes

A Prefeitura de Fortaleza, por meio da Rede Municipal de Saúde, dispõe de cerca de 24 mil frascos de repelentes, sendo distribuídos para 12.039 gestantes que estão sendo acompanhadas nos postos de saúde de Fortaleza. As mulheres que realizam o pré-natal nos postos de saúde recebem, por mês, dois frascos do produto. Em 2021, 129 gestantes foram acometidas com dengue, 50 com chikungunya e nenhuma com Zika vírus.

Onde buscar atendimento

As gestantes que necessitam de atendimento em decorrência de arboviroses devem procurar o posto de saúde mais próximo da sua residência. Fortaleza conta atualmente com 116 unidades. O mesmo procedimento é adotado para tratamento posterior às arboviroses. Após consulta no posto de saúde, o usuário é encaminhado ao especialista na rede especializada.

Dicas para o uso de repelente:

  • Lavar sempre as mãos após aplicar o repelente

  • Aplicar sempre 15 minutos após o uso de filtros solares, maquiagem e hidratantes

  • Não aplicar o produto próximo aos olhos, nariz ou boca e genitais, pelo risco de maior absorção nas áreas de mucosa e intoxicação

  • Observar o tempo de reaplicação;

  • Em caso de dúvidas, procurar orientações com os profissionais das unidades de saúde

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde e Escola de Saúde Pública do Ceará

Fonte: CMFor por Ana Clara Cabral – Foto: Depositphotos/Agência Câmara de Notícias