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Uma equipe internacional de pesquisadores alcançou um marco inédito na biotecnologia ao fazer com que plantas de alface produzissem uma das principais proteínas presentes na carne. A descoberta pode representar um passo importante para o desenvolvimento de alimentos mais sustentáveis, capazes de oferecer características típicas da carne utilizando muito menos recursos naturais.
O estudo, publicado na revista científica Frontiers in Plant Science, conseguiu fazer com que plantas de alface e tabaco produzissem mioglobina, proteína responsável por grande parte da cor, do sabor e de outras propriedades da carne.
Para alcançar esse resultado, os cientistas modificaram geneticamente as plantas utilizando uma técnica que insere genes diretamente nos cloroplastos — estruturas responsáveis pela fotossíntese. Os genes utilizados foram adaptados a partir da mioglobina de porco.
Os pesquisadores destacam que uma das maiores surpresas foi a excelente adaptação das plantas. Mesmo produzindo uma proteína de origem animal, elas continuaram saudáveis, cresceram normalmente, produziram sementes e não apresentaram prejuízos significativos na fotossíntese.
Embora a quantidade de mioglobina produzida ainda seja cerca de dez vezes menor do que a encontrada nos músculos dos animais, os cientistas afirmam que a eficiência da agricultura vegetal pode compensar essa diferença. Como o cultivo de plantas utiliza menos terra, água e gera emissões muito menores de gases de efeito estufa do que a pecuária, a produção dessa proteína por hectare poderá, no futuro, rivalizar ou até superar a produção convencional de carne.
Segundo os autores, a tecnologia ainda está em fase experimental e será necessário aumentar a quantidade de proteína produzida pelas plantas antes de uma aplicação comercial. Os pesquisadores identificaram que a disponibilidade da molécula chamada heme, essencial para o funcionamento da mioglobina, ainda limita a eficiência do processo e será um dos focos das próximas pesquisas.
Caso a técnica seja aprimorada, a proteína poderá ser extraída das folhas para ser utilizada na fabricação de carnes vegetais com sabor e aparência mais próximos da carne tradicional. Outra possibilidade é o consumo direto dessas plantas geneticamente modificadas como ingrediente alimentar.
Além da mioglobina, a equipe acredita que a mesma estratégia poderá ser utilizada para produzir outras proteínas de alto valor nutricional em plantas, criando uma nova plataforma para a produção sustentável de alimentos.
A descoberta reforça o potencial da engenharia genética na agricultura e pode representar um importante avanço na busca por alternativas alimentares capazes de reduzir os impactos ambientais da produção de carne sem abrir mão de características apreciadas pelos consumidores.
Foto: magnific