E como o alvo é uma estrutura física em vez de uma única via molecular, os pesquisadores esperam que isso possa lidar melhor com os vírus à medida que eles sofrem mutações (o que não alteraria a forma física das partículas).

A equipe espera que sua nova abordagem funcione para outras infecções virais e já começou a investigar como a dengue, o Zika e a Chikungunya poderiam ser combatidas da mesma forma.

O ultrassom é geralmente indolor, não invasivo, relativamente fácil de aplicar e pode ser direcionado com precisão, por isso os pesquisadores têm explorado diversas novas maneiras de utilizá-lo, inclusive para o alívio da dor no cérebro e no tratamento do câncer .

A descoberta é animadora, mas ainda não se trata de um tratamento. Há muito trabalho a ser feito, incluindo o aprimoramento das frequências do ultrassom.

Este estudo limitou-se a testes laboratoriais, sem experimentos em animais ou humanos, e apenas com dois tipos diferentes de vírus. É um bom ponto de partida, mas ainda estamos nos estágios iniciais dessa tecnologia.

“Embora ainda esteja longe do uso clínico, esta é uma estratégia promissora contra vírus envelopados em geral, já que o desenvolvimento de antivirais químicos é complexo e produz resultados difíceis”, afirma o farmacologista Flávio Protásio Veras, da Universidade de São Paulo.

Além disso, é uma solução “verde”, pois não gera resíduos, não causa impacto ambiental e não promove resistência viral.

A pesquisa foi publicada na revista Scientific Reports .