Covid-19: tire suas dúvidas sobre a nova cepa do coronavírus

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No Ceará a presença da variante da Covid-19 já é uma realidade. De acordo com um relatório emitido pela Fiocruz, cerca de 70% dos exames investigados no Estado positivaram para a nova cepa. Em busca de responder dúvivas da população, conversamos com a enfermeira, epidemiologista e colaboradora da Diretoria de Educação Profissional em Saúde da Escola de Saúde Pública do Ceará (Dieps-ESP/CE), Rebeca Bandeira. Confira:

O que se sabe sobre a nova cepa?

Rebeca Bandeira: A gente precisa compreender que essas mutações são comuns em qualquer tipo de vírus. É normal que por questão de adaptação a natureza, por questão de sobrevivência, eles acabem fazendo esse processo de mutação. Toda mutação vai levar o vírus a ter uma característica que nos preocupe? Não. Nem toda mutação se transforma em preocupação pra gente. Mas o que foi que aconteceu com essa variante P1 que veio de Manaus, chamada de variante de preocupação ou então de VOC, durante esse processo de mutação ele adquiriu um potencial de maior transmissão, a P1 da Amazônia aumentou essa capacidade de transmissão.

Qual a principal diferença entre a nova cepa e a antiga?

RB: Como já falei anteriormente, a diferença principal é a capacidade que essa nova cepa tem de transmissão.

Ela já se encontra no Ceará?

RB: Sim. Já se encontra no Ceará e nós já estamos no estágio de transmissão comunitária. Ou seja, as pessoas estão se contaminando no próprio ambiente que residem são pessoas que não viajaram e que não tiveram contato com alguém que esteve em Manaus, que é onde tem a circulação dessa variante,  pra justificar estar com essa doença. Quando isso acontece a gente diz que a transmissão já se tornou comunitária.

Quais complicações os indivíduos podem ter ao adquirir essa nova cepa?

RB: Os estudos ainda estão sendo feitos, mas o que nós temos visto é que os pacientes estão chegando com uma gravidade maior nas unidades, com um pico inflamatório mais antecipado, mais grave, do que aqueles pacientes que a gente via o quadro clínico no ano passado. Então isso pode ser por conta dessa nova variante. No entanto, não temos resultados de pesquisa confirmando que essa nova cepa tenha o potencial de produzir uma doença mais grave. As pesquisas ainda estão caminhando.

Existe um público que ela atinge mais fortemente?

RB: Desta vez o público jovem é o que está sendo mais acometido nesse momento e isso é um perfil, uma dinâmica, uma mudança da doença pois antes a gente se preocupava muito com os idosos, com as pessoas que tinham comorbidades, mas agora nós estamos vendo, de uns meses pra cá, nessa segunda onda, o perfil novo dessas pessoas. Elas estão indo a óbito, estão agravando o quadro clínico, o que leva a crer é que muito provavelmente o público jovem é o que está se expondo mais e quem tem relaxado em relação as medidas de proteção, uso da máscara, limpeza das mãos e se aglomerando. Os jovens vinham carregados com esse discurso ‘eu não tenho comorbidade, faço exercício físico, me alimento bem, vou sofrer essas complicações, vou ter no máximo uma doença com a sintomatologia de quadro clínico leve’. O que a gente tem visto é que isso não está acontecendo, o que reforça nosso pensamento que além da amplitude da exposição desse público jovem, também desconfiamos da virulência aumentada.

Público infantil também pode sofrer complicações com a mutação do vírus da covid-19?

RB: Em relação ao público infantil funciona basicamente como reservatórios da doença. A gente precisa também cuidar das nossas crianças, cuidar do público infantil, para não expor eles ao coronavírus. Eles não são um público que agravam muito o quadro clínico. Quero chamar atenção para o uso da máscara no público infantil. Abaixo de 2 anos ela não é recomendada por conta do sufocamento, Acima disso a criança deve ser orientada no sentido da questão da higienização das mãos, na formação da educação sanitária deste público.

Mesmo com a alteração do vírus os cuidados preventivos contra a Covid-19 são os mesmos:

  • Lave suas mãos com frequência. Use sabão e água ou álcool em gel.

  • Use máscara.

  • Não toque nos olhos, no nariz ou na boca.

  • Cubra seu nariz e boca com o braço dobrado ou um lenço ao tossir ou espirrar.

  • Mantenha distanciamento.

  • Fique em casa se sentir indisposto.

  • Procure atendimento médico se tiver febre, tosse e dificuldade para respirar.

Fonte: CMFor por Rochelle Nogueira – Foto: Agência Brasil