Conforme o presidente do Conselho Curador da Fundação Butantan, Dimas Covas, o Brasil pode começar com o programa de vacinação na segunda quinzena de janeiro
Temáticas como a descoberta e aplicação das vacinas, o recente recrudescimento dos casos no país, o tempo para retorno pleno das atividades econômicas e formas de mitigar o avanço da pandemia de Covid-19 no país foram algumas das questões discutidas pelos especialistas Natália Pasternark, Paulo Chapchap e Dimas Covas durante o almoço-debate promovido pelo LIDE Ceará nesta sexta-feira (4), no Hotel Gran Marquise, em Fortaleza.
O encontro teve início com as boas-vindas da presidente do LIDE Ceará, Emília Buarque, que destacou o papel da entidade ao longo do ano e as discussões de temas relevantes feitas em eventos online e híbridos nos últimos meses. Segundo Emília, foi um ano desafiador, mas de grande aprendizado. “Realizamos em 2020 durante o período da pandemia cerca de 50 atividades, bem mais do havíamos planejado. Com isso, construímos um grande elo de cooperação entre os empresários associados e a sociedade”, ressaltou.
No último evento de 2020, o LIDE Ceará trouxe três personalidades de grande relevância nas discussões sobre a Covid-19 no país para discutir as diversas formas de enfrentamento da doença.
A primeira participação foi da doutora em microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP) e presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC), Natália Pasternak, que explicou didaticamente para o público como funciona o desenvolvimento de uma vacina e a importância de não descartamos nenhuma possibilidade de estudos com possíveis vacinas que possam chegar ao Brasil. Para ela, a ciência trabalhou de forma muito satisfatória no desenrolar dos fatos durante a pandemia, mas ainda é preciso informar melhor. “A ciência caminhou muito bem, mas poderíamos ter comunicado de forma mais eficaz. Considero que comunicar as descobertas das vacinas e os efeitos dos riscos de contágio agora, nesse momento em que temos um novo crescimento de casos, será o maior dos desafios”.
Neste sentido também foram as falas dos convidados Dimas Covas, presidente do Conselho Curador da Fundação Butantan, e Paulo Chapchap, Diretor Geral do Hospital Sírio Libanês e Coordenador Geral do Movimento Todos Pela Saúde.
Dimas Covas falou sobre as ações da Fundação Butantan e da parceria com a farmacêutica Sinovac. Segundo ele, os estudos clínicos no Brasil estão em fase avançada e os resultados devem sair em breve. Convidado pela presidente do LIDE, Emília Buarque, a falar sobre o impasse entre Butantan e Anvisa, Dimas Covas ressaltou a tradição histórica do instituto como um centro de pesquisa de referência em vacinação e informou que os resultados apresentados nas pesquisas desenvolvidas por eles os credibilizam junto à agência nacional como um dos principais players neste momento. Covas disse que, com esses resultados, a vacina do Butantan deve estar pronta para aplicação dentro de algumas semanas, desde que seja devidamente aprovada pela Anvisa. Com isso, o programa de vacinação poderia começar já na segunda quinzena de janeiro de 2021. “Essa é a vacina no Brasil mais próxima de sair”, ressaltou Covas, destacando que, ao que tudo indica, o cronograma de vacinação será mantido e que há um pedido de análise emergencial feito pelo Butantan à Anvisa.
Paulo Chapchap discorreu sobre o aumento de casos em São Paulo e a situação das unidades de saúde. “A rede de saúde, especialmente a privada, está o tempo todo com índices de ocupação bem elevados, de até 90%, mesmo nós tendo conseguido um aumento de 20% na capacidade de atendimento. É um sinal claro da situação preocupante que temos vivido com esse atual crescimento das infecções”, explicou Chapchap. O médico falou também sobre as verbas que têm sido direcionadas para o combate à pandemia e qual a atuação do projeto Todos pela Saúde no enfrentamento da pandemia. Chapchap comentou sobre a utilização do lockdown como estratégia existente no início da pandemia, mas ressaltou não ser uma medida inteligente para o momento atual.
Os três convidados foram unânimes em recomendar cuidados para este período de festas de final de ano e de férias de verão, especialmente em relação ao uso de máscaras o máximo possível, a manutenção do distanciamento físico e evitar ao máximo as aglomerações ou saídas desnecessárias para espaços públicos com a presença de muitas pessoas.
Os convidados responderam ainda perguntas de membros do LIDE Ceará e da imprensa. O empresário Deusmar Queiroz questionou sobre logística e armazenamento para as vacinas, citando o exemplo do imunizante desenvolvido pela farmacêutica Pfizer, que precisa ser armazenada a 70 graus Celsius negativos. Natália Pasternak concordou com a dificuldade e explicou que uma das maneiras de se solucionar essa questão será ter a condição de utilizar diversos tipos de vacina, cujas características são diferentes e podem ser utilizadas nas metrópoles e nas cidades médias ou nas pequenas cidades do interior de acordo com as condições de transporte e armazenamento de cada um.
Já o empresário Lauro Fiúza Júnior perguntou a Dimas Covas sobre a confiabilidade dos insumos vindos da China ao falar de comentários e questionamentos feitos em redes sociais sobre a vacina produzida pela Coronavac. Covas ressaltou que inúmeros remédios, especialmente os genéricos, e princípios ativos fabricados na China já são utilizados e consumidos normalmente não somente no Brasil, mas em outros mercados, como o dos Estados Unidos, o que demonstra a qualidade dos produtos. O diretor do Butantan destacou também as boas práticas de fabricação de insumos chineses em diversas outras áreas.
Em sua fala final de encerramento do evento, a presidente do LIDE Ceará, Emília Buarque, lamentou a repetição da diferença entre países ricos e pobres também em uma situação como essa da pandemia do novo coronavírus. “Fica claro que enquanto outros países já estão bem mais adiantados ou até mesmo dando a largada para um calendário vacinal, o Brasil ainda não tem uma estratégia bem definida e deixa seus cidadãos não somente apreensivos, mas desprotegidos em seu direito à saúde.”
Conheça os convidados
Com formação em nível superior e PhD na área de Ciências Biológicas e Microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP), Natália Pasternak é a primeira brasileira a integrar o Comitê para Investigação Cética (CSI, na sigla em inglês), criado pelo astrofísico norte-americano Carl Sagan. Natália foi diretora no Brasil do festival internacional de divulgação científica Pint of Science – Um Brinde à Ciência, é colunista do jornal O Globo, da revista The Skeptic UK e da revista Saúde, e autora do livro “Ciência no Cotidiano – Viva a razão. Abaixo a ignorância!”.
Paulo Chapchap é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, pesquisador visitante da Universidade de Pittsburgh, Doutor em Medicina, na área de Clínica Cirúrgica pela FMUSP. Chachap também é membro do Conselho da International Liver Transplantation Society e coordenador do Programa de Transplante de Fígado do Sírio-Libanês e Presidente do Consel.
Dimas Covas é presidente do Conselho Curador da Fundação Butantan e um dos grandes nomes da saúde na atualidade. É professor Titular de Medicina Clínica da Universidade de São Paulo (USP), presidente da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia e da Regional do Hemocentro de Ribeirão Preto e é diretor-presidente da Fundação Hemocentro. Além disso, é membro da Sociedade Americana de Hematologia e da Associação Europeia de Hematologia.
Sobre o LIDE Ceará
Presidido pela empresária Emília Buarque, o LIDE Ceará é um grupo de líderes empresariais multisetorial, independente, apartidário, com alta conectividade e com foco no desenvolvimento socioeconômico. O objetivo do grupo é ampliar o ambiente de negócios e as oportunidades, conectando e dando projeção para as empresas, debatendo temas diversos, influenciando e defendendo posicionamentos.
O LIDE Ceará mantém uma agenda de atividades de fevereiro a novembro, com conteúdo de altíssimo nível e acesso aos principais expoentes do país no campo empresarial e no poder público. O LIDE nas unidades internacionais (China, Itália, Alemanha, Portugal, EUA, Argentina, Paraguai, dentre outras) representa um ambiente seguro para negócios e desenvolvimento, especialmente entre o mundo e a forte presença do grupo na América Latina, com destaque para o Brasil. A organização está presente nos cinco continentes.
Foto: divulgação