As entidades brasileiras de saúde, como Sociedade Brasileira de Mastologia, Federação Brasileira de Ginecologia, Obstetrícia e Colégio Brasileiro de Radiologia, recomendam realizar os exames de rastreamento para o câncer de mama a partir dos 40 anos, pois é possível garantir uma sobrevida maior e menos danos às pacientes. Mas a dor e o medo do diagnóstico ainda fazem muitas mulheres adiarem os exames básicos como a mamografia.
Uma novidade está ajudando a mudar, aos poucos, essa realidade. A mamografia 3D é uma forte aliada no diagnóstico do câncer de mama, inclusive precoce. De acordo com um estudo conduzido pela Universidade de Lund e pelo Hospital Universitário Skåne, na Suécia, o método, conhecido como tomossíntese, é capaz de detectar 34% mais tumores do que a mamografia convencional.
O equipamento permite imagens 2D e 3D de alta resolução e realiza exames em menos de 4 segundos, mas o diferencial é ter uma superfície que reflete o formato da mama feminina e proporciona mais conforto e menos dores durante os exames.
No Ceará, um dos pioneiros a adquirir um mamógrafo que usa o compressor Smart Curve, que imita a curvas da mama, para realizar o diagnóstico do câncer de mama foi o Emilio Ribas Medicina Diagnóstica, no Iguatemi. A clínica é uma das poucas do Brasil que possuem a tecnologia. No País, o método está disponível em alguns hospitais particulares, centros de diagnóstico e hospitais públicos especializados, como o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e o Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da USP (Inrad).
Aqui no Ceará, o equipamento que chegou recentemente ao mercado está auxiliando muitas mulheres a vencerem o medo e cuidarem da saúde, já que, na mamografia tradicional, é necessário comprimir a mama entre duas placas planas de metal, por cerca de dez segundos na horizontal e outros dez segundos na vertical. Para muitas mulheres, o exame é doloroso.
A médica Nara Pacheco, Doutora em Oncologia e com experiência internacional em Imagem da Mama pelo Hospital Johns Hopkins (EUA), radiologista do Emilio Ribas dá algumas dicas para reduzir a dor durante a mamografia: “Sugerimos que as pacientes realizem os exames na primeira fase do ciclo menstrual, antes da ovulação. Nesta época, devido à redução dos efeitos hormonais estimulantes, as mamas ficam menos sensíveis. Também é indicado que ela faça o exame sempre no mesmo lugar; além de ser mais prático para o médico fazer os exames comparativos, a paciente vai se familiarizando com o ambiente e com os profissionais, afinal, nós tememos mais o desconhecido”.
Como todos os outros tipos de câncer, não há formas de prevenção que funcionem 100%. “Conservar hábitos saudáveis, como praticar exercícios físicos, contribui para manter os hormônios estáveis, reduzindo o risco de desenvolvimento do câncer na glândula mamária para pelo menos 25%. Redução de peso em pacientes obesos também pode levar a uma diminuição de até 50% do risco de câncer de mama. Outras medidas cabíveis seria evitar ou parar com o consumo de bebidas alcoólicas e com tabagismo”, observa a Dra. Nara Pacheco.
Outros dados:
O câncer de mama é responsável pela maior taxa de mortalidade das mulheres em comparação aos cânceres ginecológicos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2020 os números registrados no País já ultrapassam a marca de 66 mil novos casos. Apesar de a incidência de diagnósticos ser prevalente em mulheres acima dos 50 anos, o número de diagnósticos tardios é ainda maior em mulheres com menos de 40 anos.
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