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Embora milhões de brasileiros recorram a medicamentos para conseguir dormir, especialistas alertam que eles não deveriam ser a primeira opção no tratamento da insônia. Um estudo do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), publicado na revista Sleep Science, mostra que 60% dos pacientes avaliados utilizavam remédios para dormir, mesmo existindo alternativas consideradas mais eficazes e seguras no longo prazo.
A principal delas é a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I), apontada pelas diretrizes internacionais como o tratamento de primeira linha. Diferentemente dos medicamentos, a terapia atua na causa do problema, ajudando o paciente a modificar hábitos, comportamentos e pensamentos que dificultam o sono.
A TCC-I reúne técnicas como controle de estímulos, restrição do tempo na cama, higiene do sono e reestruturação cognitiva. O objetivo é fazer com que o organismo volte a dormir naturalmente, reduzindo a necessidade de medicamentos e diminuindo as chances de recaídas.
Outra abordagem que vem ganhando espaço é a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Essa modalidade trabalha aspectos emocionais e comportamentais ligados ao estresse, à ansiedade e ao estilo de vida, fatores que frequentemente contribuem para a manutenção da insônia. Estudos mostram que seus benefícios tendem a se consolidar ao longo dos meses, oferecendo resultados duradouros.
Os pesquisadores ressaltam que dormir bem também depende de mudanças na rotina. Manter horários regulares para dormir e acordar, evitar cochilos durante o dia, reduzir o uso de celulares e computadores antes de dormir, limitar o consumo de cafeína e utilizar a cama apenas para dormir são medidas simples que podem melhorar significativamente a qualidade do sono.
Segundo os especialistas, medicamentos como Zolpidem e clonazepam podem ser úteis em situações específicas, mas devem ser usados apenas por períodos curtos e sempre com orientação médica. O uso prolongado pode provocar dependência, perda de memória, dificuldades cognitivas, aumento do risco de quedas e necessidade de doses cada vez maiores para produzir o mesmo efeito.
Para os autores do estudo, ampliar o acesso às terapias comportamentais é fundamental para reduzir o uso indiscriminado de medicamentos. A recomendação é que pessoas com dificuldade para dormir procurem avaliação médica para identificar a causa da insônia e receber um tratamento individualizado, priorizando abordagens que ofereçam benefícios duradouros e menor risco à saúde.
Foto: magnific