Novo tecido inspirado em lulas revoluciona roupas com temperatura controlada

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O conceito de tecido que se ajusta à temperatura do seu corpo pode em breve se tornar realidade, graças a uma descoberta de pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Irvine. Inspirado na pele única e adaptável das lulas, este novo material permite que os usuários controlem seu calor, oferecendo um futuro promissor para roupas de desempenho.

A equipe de pesquisa, liderada por Alon Gorodetsky, desenvolveu este material imitando os cromatóforos na pele da lula. Essas células especializadas permitem que as lulas mudem sua cor e padrão expandindo ou contraindo. No entanto, em vez de luz, o tecido da equipe regula a radiação infravermelha – o calor que nossos corpos emitem naturalmente. À medida que o material é esticado, ele separa pequenas ilhas de cobre embutidas na base de polímero, alterando a forma como o tecido transmite a luz infravermelha, controlando assim a temperatura do usuário.

“A pele da lula é complexa, consistindo em várias camadas que trabalham juntas para manipular a luz e alterar a coloração e o padrão geral do animal”, disse o autor Alon Gorodetsky. “Algumas das camadas contêm órgãos chamados cromatóforos, que fazem a transição entre os estados expandido e contraído (após a ação muscular) para mudar a forma como a pele transmite e reflete a luz visível.”

A flexibilidade e a capacidade de ajuste do tecido significam que ele pode encontrar uma variedade de aplicações no uso diário, especialmente em equipamentos para atividades ao ar livre, como jaquetas de esqui, luvas e outras roupas térmicas. Mas o que torna essa inovação ainda mais empolgante é sua respirabilidade, lavabilidade e capacidade de integração com os tecidos existentes sem comprometer o desempenho.

Os pesquisadores conseguiram isso colocando uma película protetora fina no tecido, garantindo que ele resista à lavagem sem degradação. Eles também perfuraram o material para torná-lo respirável, oferecendo permeabilidade ao ar e ao vapor de água comparável ao algodão. Isso significa que o tecido não apenas gerencia o calor, mas também mantém o conforto, tornando-o ideal para roupas esportivas.

Testes realizados com espectroscopia de infravermelho e métodos dinâmicos de termorregulação mostraram que, mesmo com esses aprimoramentos, o tecido manteve suas propriedades de controle de calor. Além das roupas, a equipe acredita que as técnicas de fabricação usadas para criar esse tecido podem ser aplicadas a outras tecnologias vestíveis, como eletrônicos elásticos e tecidos de coleta de energia.

Como explica Gorodetsky, o potencial desse tecido inspirado em lulas se estende muito além das roupas: “As estratégias usadas para dotar nossos materiais de respirabilidade, lavabilidade e compatibilidade de tecido podem ser traduzidas para vários outros tipos de sistemas vestíveis, como eletrônicos orgânicos laváveis, e-têxteis elásticos e materiais triboelétricos de coleta de energia”, diz ele.