[PÚBLICO A EVENTOS] Saiba mais sobre composições e intérpretes que venceram o IV Festival da Música de Fortaleza

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Ao todo o Festival distribuiu R$ 64 mil em premiações.

O Festival da Música de Fortaleza chegou à sua quarta edição em 2021 revelando grandes composições e trazendo ao palco marcantes apresentações. “Geandra”, composição de Enrico Di Miceli e Joãozinho Gomes, teve interpretação de Ariel Moura – todos do Amapá – e foi a grande vencedora do evento, levando a premiação de R$ 40 mil.

“Eu sempre vi os festivais como eventos de agregação embora tenham outras importâncias, não só para os artistas mas para toda a sociedade que os promove. Ter participado do Festival da Música de Fortaleza e ter sido premiado, para mim e para meu parceiro de composição, Enrico Di Miceli, e sobretudo para Ariel Moura, que interpretou de um modo tão magistral a canção “Geandra”, e para Geandra Bastos, a musa inspiradora da canção, está sendo motivo de uma intensa felicidade.”, afirmou Joãozinho Gomes.

Joãozinho Gomes é poeta e compositor, reconhecido como um dos mais atuantes poetas-letristas do atual cenário brasileiro. A sua produção consiste em duzentas e quarenta canções gravadas e um livro editado. Enrico Di Miceli é músico, cantor e compositor Amazônico, possui duas discografias (CD): Amazônica Elegância e Timbres e Temperos. Joãozinho e Enrico são paraenses radicados no Estado do Amapá.

A intérprete da canção vencedora, Ariel Moura, é cantora, compositora e atriz. Canta desde a adolescência através de apresentações artísticas em sua igreja, mas iniciou sua carreira profissional de fato em 2015. Tem influências do Soul, Jazz, Pop e Música Popular Brasileira, assume as raízes do Batuque e Marabaixo como uma de suas grandes referências. É considerada uma das mais promissoras vozes da Região Norte pela singularidade de seu timbre e sua versatilidade de interpretação.

É Osso

A canção que ficou em segundo lugar foi “É Osso”, com a premiação de R$ 12,6 mil, interpretada por Shirley Diógenes, sendo composta pela própria intérprete em parceria com Edinho Vilas Boas, ambos cearenses. A artista já teve outra composição sua, “Se Eu Fosse Eu”, vencedora do festival no ano de 2020, na ocasião, a música ganhou interpretação de Jeffe que também foi premiado no festival na categoria melhor intérprete. No pódio e com o troféu, a artista dedicou a vitória para os demais participantes: “Nós já somos vitoriosos meus amigos. Nós vivemos de arte em um país que trabalha muito pouco pela arte. Isso aqui é para todos nós.”.

Shirley Diógenes é atriz, cantora e compositora. Licenciada em Música pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), possui formação técnica em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atuou como atriz e cantora em diversos espetáculos, como a “Ópera do Malandro” de Chico Buarque, “Opereta” de Chiquinha Gonzaga, “Trindades”, “Salomé” e “Bárbaras: Canções do Palco Brasileiro”. É professora de música e expressão corporal em diversas escolas de Fortaleza, além de possuir algumas de suas canções gravadas por parceiros cearenses. Edinho Vilas Boas é cantor, compositor e produtor musical, formado pelo Instituto Federal do Ceará. Seu último trabalho lançado é o CD “Retumbante”. Edinho se destaca no cenário musical de música autoral brasileira através de importantes premiações.

Voz e Violão

Já a terceira canção premiada nesta quarta edição do Festival, com o valor de R$ 5,7 mil, foi “Voz e Violão” de Pedrinho Callado e Paulinho Pedra Azul – ambos do Pará -, interpretado por Marcus Caffe. Pedrinho Callado é compositor, músico e produtor musical. De Belém do Pará, publicou 7 álbuns. Além de ser premiado em festivais Brasil afora, fez trilha para filmes e publicidades, produziu outros 5 documentários e dezenas de álbuns de outros autores. Paulinho Pedra Azul é compositor, cantor, letrista e artista plástico. Tem várias músicas de sucesso no Brasil destacando-se “Jardim da Fantasia”, popularmente conhecida como “Bem Te Vi”. Possui dezenas de álbuns publicados desde 1982. O intérprete Marcus Caffé é pesquisador de estéticas e personagens brasileiros, atua no segmento de shows temáticos e tem como destaque de sua personalidade o timbre peculiar e grande força interpretativa.

Melhor intérprete

O prêmio de melhor intérprete, com o valor de R$ 5,7 mil, foi para Nayra Costa, cantora que perpassa as mais diferentes vertentes musicais, da música popular ao jazz e que é reconhecida por sua extraordinária potência vocal. Ela se apresentou com a canção “Pequeno Planador”, de Thiago Araripe.

Araripe é cantor e compositor nascido no Crato (região do Cariri Cearense). Em 1982 lançou o álbum “Cabelos de Sansão” com o grupo Lira Paulistana, relançado por Zeca Baleiro, de quem se tornou parceiro. Em São Paulo, dividiu palcos com Tom Zé, integrou o grupo Papa Poluição e participou de trilhas de filmes, como “Sargento Getúlio”. Seu mais recente álbum é “Terramarear”, que reúne 37 músicos e artistas de diversos continentes.


LETRAS

Geandra (Enrico Di Miceli / Joãozinho Gomes)

Intérprete: Ariel Moura

Terpsícore engendra

as sapatilhas de Geandra,

as bordas borda-as a ouro

para susterem as asas das

sandálias de Hermes

A bailarina dança

À baila vem a lira

Alinha-se a esperança

E ali ela se aninha

E ali ela descansa

No fio com as andorinhas

Pensando em nova dança

Pra valsa em caixinhas

Desperta nas estampas

Em cântaros da China

Às vezes sobre as tampas

Das raras pucarinas

A noite se levanta

Estrelas pequeninas

Despencam todas, tantas,

Purpuram a menina

Porta-bandeira dança

O ato em si fascina

O que sua arte alcança

O ser não imagina

Soa a terceira campa

O palco se ilumina;

Existe uma Geandra

Em toda bailarina


É Osso (Shirley Diógenes e Edinho Vilas Boas)

Intérprete: Shirley Diógenes

Margarina

Café

Sabão em pó

Água sanitária

Fósforo

Alho poró

Frutas

Carnes

Ver dura

A vida dura

Pra pagar

Pra levar

Pra cumprir

Pra seguir na fila

Será que tem jeito?

É tudo tão caro

Me afogo no raso

Da gasolina

Triste rotina

O preço e o coração disparam

Então me contorço

Pra caber no bolso

É meu calabouço

A luz apagada

A água Pingada

E as minhas palavras

Debaixo do destroço

É osso !

É osso !

A gente acorda

Com a corda no pescoço

Mas o marketing de uma empresa diz num outdoor

Você tem que ser melhor

Você tem que ser melhor

Acorde cedo

Pague o preço

Veja só (Seja só)

O candidato

Diz que é o melhor

Aquela igreja

Vende o que é melhor

(A paz eterna)

Vem depois

Mas tá de promoção

“Dividimos em até 80 anos

Com os juros do cartão”


Voz e Violão (Pedrinho Callado / Paulinho Pedra Azul)

Intérprete: Marcus Caffe

Eu vou deixando acontecer

É preciso aprender

A ganhar e a perder

Mas preciso compreender

Que as palavras vem e vão.

São pra responder, afinal.

Eu vou cantando pra viver

Quero ver o sol nascer

Muita água pra correr

Fruta boa pra comer

Muita voz e violão.

Meu coração em paz.

Quero te amar, te abraçar

Quero teu bem, nada de mal

Gente que vem, gente que vai

Presta atenção, olha o sinal.

Somos do bem, gente legal.

Quem dá muito amor é chama, aquecer.

Sempre ter nos olhos

A fonte da luz

Como esta canção

Que agora conduz.

Se sobrar uma nota, melhor

Se faltar, natureza produz.

Antes da palavra tem meu coração

Depois, melodia com muita paixão.

Tanta poesia e eu só.

Na garganta apertada, um nó.


Pequeno Planador (Tiago Araripe)

Intérprete: Nayra Costa

Vejo, de um pequeno planador,

O Planeta Azul que nos restou

Nos seus tons de cinza, o desamor

Que as nossas verdes matas desfolhou

Mas a vida quer sobreviver

Coração é feito pra pulsar

A gente não dá o braço a torcer

E se dá as mãos pra superar

Êê, êê

Êê, êê

Que a lágrima não venha afogar

Fazer o coração endurecer

Há esperança pra continuar

Há fé em Deus pra não esmorecer

Êê, êê

Êê, êê

Amazônia.

Foto: Tiago Matine