[PÚBLICO A SAÚDE] Covid-19: o que sabemos sobre a variante Delta

Compartilhe Essa notícia

A variante Delta do novo coronavírus vem preocupando as autoridades sanitárias de todo o mundo pela sua alta transmissibilidade e o grande número de casos e de óbitos registrados. No Ceará, já foram identificados 62 casos, sendo 33 mulheres e 29 homens na faixa etária de 20 a 39 anos, o que coloca em alerta a população para o reforço dos cuidados preventivos, mesmo com a vacinação.

Saiba o que dizem os infectologistas sobre esta mutação:

  • Alta transmissibilidade: De acordo com o médico infectologista Keny Colares, cada pessoa infectada pode transmitir o vírus para outros seis indivíduos. Dados publicados pelo governo britânico indicam que a Delta é entre 40% e 60% mais contagiosa do que a variante Alfa (detectada na Inglaterra) e quase duas vezes mais transmissível do que a cepa original identificada em Wuhan, China.

  • Aumento de casos da variante: Um dos fatores que contribuiu para a disseminação desta nova cepa pelo mundo, foi a flexibilização das medidas preventivas e das barreiras sanitárias nos aeroportos. No Ceará, por exemplo, dos casos registrados com a cepa oriunda da Índia, 20 são passageiros em desembarque e três, trabalhadores que atuam no aeroporto. O processo de imunização de forma desigual também permitiu que a variante se espalhasse.

  • Sintomas da Delta: Os principais sinais e sintomas são febre, dor de cabeça, coriza e dor de garganta. Com a variante Delta, os casos têm menor ocorrência de tosse e perda de paladar e olfato. Esse quadro pode ser confundido com um resfriado comum, o que acaba levando muitas pessoas a não procurar atendimento e à possibilidade de contaminar outras sem saber que estão com Covid.

  • Vacinação e infecção: De acordo com o médico infectologista Keny Colares, a nova variante tem a capacidade de driblar a proteção parcial que é desenvolvida por uma pessoa que já foi vacinada, citando como exemplo os países Inglaterra, Estados Unidos e Israel, que possuem taxa de vacinação por volta de 60%, mas que registraram muitos casos da Delta.

  • Vacinação e gravidade: O infectologista Keny aponta que o aumento do número casos nos países com taxas mais altas de vacinação não tem sido proporcional ao número de internamentos e óbitos. “Mesmo que a vacina não consiga proteger dessa nova cepa, não têm surgido casos graves da doença, o que é mais importante nesse momento”. Pesquisas realizadas também demonstram eficácia das vacinas contra a variante.

  • Dose de reforço: Com a disseminação da Delta no mundo, cientistas passaram a estudar a nova cepa e verificar se seria necessário dose de reforço das vacinas para uma proteção mais eficaz. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta no entanto que, antes de se pensar em doses de reforço, a principal preocupação deve ser que a maioria das pessoas no mundo seja vacinada.

  • Como reduzir o risco de se infectar com a Delta? Especialistas destacam que é necessário continuar com estratégias de prevenção como o uso de máscara, distanciamento social, uso de álcool e gel e higienização das mãos para reduzir sua transmissão. A melhor proteção continua sendo a vacinação, por isso é importante garantir que a imunização chegue para todos. Outra medida importante é aumentar a vigilância e isolar pessoas com suspeita de infecção dessa cepa para tentar impedir que a doença se espalhe.

A Delta coloca em alerta toda a população, tendo em vista que a sua capacidade de transmissão é bem maior e pode resultar num crescimento rápido do número de casos, inclusive demandando e sobrecarregando os leitos. O controle desta cepa também é importante para diminuir as chances do surgimento de outras novas variantes. É fundamental que todos os cuidados preventivos sejam reforçados neste período e que a população receba as duas doses da vacina, completando assim o ciclo de imunização.

Fonte: CMFor por Anna Regadas – Foto: Reuters/Agência Brasil