[PÚBLICO A SAÚDE] Gordofobia: você sabe o que é?

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Psicólogo e professor da UNINASSAU explica o que é e como identificar a gordofobia no dia a dia

Entende-se por gordofobia a aversão da sociedade às pessoas que estão acima do peso ideal. Como qualquer outro preconceito, a discriminação contra pessoas gordas, pode ocasionar o desenvolvimento de problemas sociais, afetivos e profissionais. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020, mostrou que cerca de 60,3% dos brasileiros com 18 anos ou mais, estavam acima do peso.

Com isto, dentro do convívio social, é possível perceber manifestações de preconceitos a pessoas gordas através de comentários como: “você é cheinho”, “seu rosto é tão bonito, porque você não emagrece?”, à falta de acesso aos transportes públicos, restaurantes e a outros ambientes igualmente despreparados para recebê-los.

De acordo com o psicólogo Doonon Franco, especialista em preparação para cirurgias bariátricas e professor do Curso de Psicologia do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau, em Fortaleza, este tipo de preconceito se manifesta nas práticas diárias, e a todo momento, é possível identificá-lo. “Estamos falando de situações contínuas, que machucam essas pessoas e fazem com que elas tenham uma ideia errada da própria personalidade. Em consequência a isto, é comum, também, o desenvolvimento de doenças como a depressão, ansiedade, anorexia e bulimia”, explica.

Diferente do que muitos acreditam, a obesidade nem sempre é controlável. Por vezes, ela não está relacionada apenas ao alto consumo de calorias, mas sim, a um quadro metabólico e inflamatório, que requer cuidados médicos. Vale ressaltar, ainda, que nem todos os quadros de sobrepeso podem ser apontados como falta de saúde. É possível encontrar pessoas acima do peso considerado ideal, que não apresentam alterações nas taxas metabólicas.

Sobre padrões de beleza, Doonon afirma que, sempre que a indústria, fortalecida pela mídia impõe uma nova solução com resultados rápidos e revolucionários, como dietas da água e da luz, as pessoas acreditam que a mágica realmente é possível. “Elas investem dinheiro e tempo nessas soluções, que em geral, não dão o resultado esperado. Com isso, passam a engodar ainda mais, ocorrendo o famoso efeito sanfona, que só aumenta a pressão pelo emagrecimento, o sentimento de fracasso e de incapacidade, e por consequência, tem o seu quadro psicológico agravado”, alerta.

Para ele, também é neste momento que o preconceito, já estruturado historicamente, ganha força. “A partir desse sentimento de incapacidade, pessoas gordas absorvem mais facilmente as brincadeiras, os comentários e olhares preconceituosos e se culpam pela própria obesidade. A autoimagem ruim, tomada como verdade, com o tempo reflete no convívio social entre amigos, familiares, relações amorosas, escola e, principalmente, no ambiente profissional”, finaliza Doonon.

Gordofobia é crime?

No Brasil, a gordofobia não é criminalizada. Logo, não há penalidade prevista em lei para combater atos preconceituosos contra pessoas gordas no país. Ainda assim, sempre que identificado, é possível registrar esses casos como crimes de ódio e injúria, previsto no Código Penal Brasileiro. Para além disto, o preconceito deve ser combatido diariamente dentro das rodas de conversas, das mídias, nos ambientes corporativos e principalmente, desde a infância.

Foto: divulgação