[PÚBLICO A SAÚDE] Mutações do Coronavírus reforçam o debate sobre a dose extra da vacina, aponta imunologista

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Recentemente foi publicado um artigo no site de notícias acadêmicas o ‘The Conversation’ de autoria do professor de Imunologia do Centro de Pesquisas Biomédicas da Universidade de Granada, Ignacio J. Molina Pineda de las Infantas, abordando alguns resultados preliminares sobre imunidade relacionada as vacinas contra a covid-19.

Quanto tempo vai durar nossa imunidade ao coronavírus? esse foi o tema abordado pelo pesquisador e veiculado pelas agências de notícias com as respostas iniciais da pesquisa demonstrando que os imunológicos têm apresentado efeitos promissores à população.

O imunologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Dr. Edson Teixeira, ressalta que a comunidade científica tem trabalhado com a finalidade em dar respostas a esse questionamento. “A infecção natural representa, normalmente, cerca de cinco a seis meses de imunidade no indivíduo. Algumas vacinas a gente precisa esperar o decorrer do tempo para sabermos se precisaremos ou não de um reforço anual, o que é bastante provável. Saiu um artigo sobre vacinas com RNA mensageiro que pode favorecer uma imunidade mais duradoura. Isso ainda é um estudo pequeno e a gente precisa esperar para ver quanto tempo as vacinas serão capazes de garantir essa defesa”, declarou.

Memória imunológica

Segundo a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), o termo imunidade “adaptativa” geralmente é reservado para o tipo de imunidade que se ajusta para responder a um micróbio invasor, ou seja, ela se adapta. Um sinônimo que também foi usado é imunidade “adquirida”, que afirma ser diferente de uma imunidade “inata” ou herdada. A imunidade adaptativa traz consigo a conotação de uma resposta aumentada quando se repete a exposição a um antígeno. A isso chamamos de memória imunológica.

O especialista da Universidade Federal do Ceará evidencia a importância da memória imunológica, pois tem em sua composição genes que garantem uma vida longa, mas é preciso saber a durabilidade do antígeno para cada doença. “Isso varia, então é preciso aguardar, analisar. No caso, as vacinas contra Covid-19, elas são importantes pois são muito seguras e é possível que se faça um reforço, diferentemente de você ter uma memória por doença natural”, explicou professor Edson.

O imunologista acredita que será preciso uma dose extra do imunizante, visto que não se sabe ainda a duração exata de imunidade referente às vacinas. “Tem alguns artigos saindo agora e há quase um consenso demonstrando que, por conta da grande variação e da capacidade de mutação desse vírus, existe a probabilidade de termos que vacinar novamente, principalmente os pacientes idosos e com maior comorbidade”, alertou.

Principais descobertas sobre a imunidade pós-vacina relatadas no artigo:

– Os anticorpos contra o SARS-CoV-2 permaneciam na sorologia de pacientes que haviam contraído a doença por pelo menos 8 meses e que diminuíam a uma velocidade inferior do que se temia inicialmente;
– As células de memória produtoras de anticorpos se mantiveram muito ativas e em níveis muito altos ao longo desses 8 meses, de modo que poderia se supor que confeririam proteção por alguns anos;
– Estudos mais recentes elevaram a proteção imunológica para, pelo menos, 12 meses com uma aparente seleção voltada para células de memória mais eficazes;
– A proteção aumentou consideravelmente em indivíduos que tiveram a doença e que posteriormente receberam uma dose da vacina;
– Nos indivíduos que, por terem desenvolvido uma forma leve da doença, não se encontrava essas células B de memória, eles apresentavam uma resposta bastante forte por parte das células T de memória, responsáveis ​​pela imunidade celular (nem tudo se deve aos anticorpos);
– A resposta as vacinas induz uma potente formação de células plasmáticas nos chamados centros germinativos, requisito fundamental para a produção dessas células B de memória.
– Os pesquisadores se surpreenderam com o fato de que a diminuição na concentração de anticorpos após contrair a doença tinha duas fases: uma primeira, em que se deterioravam rapidamente, e outra a partir da qual se mantinham estáveis. Este padrão sugere que as células plasmáticas de longa vida pode ser responsáveis ​​pela manutenção desses anticorpos.

Fonte: CMFor por Rochelle Nogueira – Foto: Érika Fonseca