[PÚBLICOA JUSTIÇA] Boate Kiss: 10 anos após a tragédia, nenhum réu foi responsabilizado

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Ninguém foi responsabilizado até hoje pelo incêndio de 2013 que matou 242 pessoas na boate Kiss na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Os sócios da boate Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann; o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos; e o auxiliar Luciano Bonilha Leão foram acusados de homicídio pelo Ministério Público do Estado.

Em 2021, oito anos depois da tragédia, eles foram condenados pelo Tribunal do Júri a penas de 18 a 22 anos de prisão. Mas em agosto do ano passado, o Tribunal de Justiça do estado anulou a sentença e revogou a prisão.

O argumento foi o descumprimento de regras na formação do Conselho de Sentença. O MP recorreu da decisão. O delegado regional de Santa Maria, Sandro Luís Meinerz, que conduziu a investigação do caso, lamenta a demora da justiça.

A defesa de Luciano Bonilha afirma que a sentença do júri, que foi anulada, era injusta. O advogado Jean Severo espera uma solução no fim deste ano.

O advogado de Mauro Londero, Bruno Seligman de Menezes espera que a anulação seja mantida e que um novo julgamento tenha uma sentença justa.

A advogada do vocalista Marcelo Santos, Tatiana Vizzotto Borsa, diz que ele segue trabalhando em São Vicente do Sul, enquanto aguarda a decisão de tribunais superiores.

A defesa de Elissandro Spohr não quis se manifestar. O Ministério Público do Rio Grande do Sul disse, em nota, que além dos quatro réus por homicídio, 19 pessoas, entre bombeiros e ex-sócios da boate, foram acusadas por crimes como falsidade ideológica e negligência.

Outras 27 pessoas foram denunciadas por falsidade ideológica, porque assinaram documento dizendo morar a menos de 100 metros da boate, o que foi comprovado como mentira.

*Com produção de Lucineia Marques e Victor Ribeiro

Fonte: Agência Brasil por Gabriel Brum* – Edição: Nadia Faggiani/Edgard Matsuki – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil