[PUBLICOA SAÚDE] Automedicação: uso indiscriminado de medicamentos traz risco à saúde

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A utilização de medicamentos de forma incorreta tem levantado um alerta entre as autoridades de saúde, ao redor do mundo, como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e até mesmo da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com a ONU as infecções resistentes a medicamentos já causam em torno de 700 mil mortes todo ano no Mundo. Muitos desses casos pelo uso indiscriminado de remédios, comprometendo a eficácia dos tratamentos, como explica a coordenadora da Assistência Farmacêutica da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS), Nívea Tavares.

“Algumas pesquisas apontam que os medicamentos mais utilizados na automedicação são, principalmente, medicamentos sintomáticos. Então, são medicamentos pra febre, medicamentos pra dor, alguns medicamentos que são anti-inflamatórios, alguns medicamentos, inclusive, corticoides, que são, também, uma classe específica de medicamentos anti-inflamatórios. Uma coisa que é importante alertar, quando a gente fala nos riscos da automedicação, é que embora esses medicamentos, muitos deles no Brasil, são medicamentos isentos de prescrição, ou seja, são aqueles medicamentos que estão naquelas gôndolas da farmácia, onde você tem fácil acesso, o medicamento que você pode escolher e levar, esses medicamentos não são isentos de risco, eles são isentos de prescrição. Então, é importante alertar as pessoas que um paracetamol, uma dipirona, por mais que sejam medicamentos muito conhecidos e muito utilizados, eles podem sim, ocasionar riscos à saúde das pessoas, quando utilizados de forma incorreta.”

A coordenadora farmacêutica destaca o fígado como um dos órgãos mais afetados pelo uso irracional de medicamentos, ainda mais pelo tempo prolongado da sua utilização indiscriminada. Nívea Tavares chama a atenção para o uso correto dos medicamentos, prescritos por um profissional da saúde, mesmo se tratando de remédios mais comuns, que não necessitam de receituário médico.

“Alguns estudos recentes, inclusive, apontam muitos problemas de falência hepática, e de hepatite aguda, relacionados com a utilização crônica, a utilização por longos períodos de tempo, de paracetamol, muito ligado à questão da automedicação. Então é importante alertar as pessoas que a utilização dos medicamentos, mesmo aqueles que são isentos de prescrição, que estão lá, de uma forma mais fácil, acessível, na farmácia, tem que ser de uma forma mais consciente, precisa ser utilizado com a orientação de um profissional, sempre.”

Mas afinal, o que leva uma pessoa a se automedicar? Segundo a coordenadora farmacêutica da SMS, os motivos pode ser variados, como a dificuldade no acesso à assistência, ou até mesmo, uma questão habitual, especialmente, entre os brasileiros.

“O que leva uma pessoa a se automedicar, às vezes pode ser por uma questão de falta de acesso a uma assistência médica. É mais fácil ela ter acesso ao medicamento indo numa farmácia, do que ela ter um acompanhamento e ter um diagnóstico, ter uma informação. É mais adequado que ela peça realmente a ajuda do profissional, pra que ela possa ter um diagnóstico correto, pra poder utilizar o medicamento correto. Também está muito relacionado com o hábito. O brasileiro, ele tem esse hábito, muito grande, de se automedicar. Seja por uma orientação de um vizinho, de um parente, de um amigo. Sempre tem uma receita ou sempre tem uma dica, quando você está com algum sintoma específico.”

De acordo com Nívea Tavares, o uso irrestrito e incorreto de medicamentos pode estar mais relacionado com o autocuidado do que com uma questão psicológica do usuário. A farmacêutica acredita que os resultados do combate à automedicação estão mais ligados a um trabalho de conscientização do que a um tratamento psicológico.

“A questão da automedicação não está necessariamente ligada com um tratamento psicológico. Ela está muito mais ligada com seu autocuidado. Tem pessoas que preferem realizar esse autocuidado através de uma nutrição mais balanceada, através do exercício físico. Tem outras pessoas que sentem a necessidade de fazer uma utilização de medicamento, seja por exemplo, uma vitamina, ou algum outro medicamento que, de repente, ela ache que vai dar um vigor maior, que vai prevenir determinado sintoma. Então, eu acho que é muito mais, uma conscientização, que é necessária com as pessoas, pra que elas tenham consciência de que, todo medicamento pode ter um risco associado à sua utilização.”

A coordenadora farmacêutica da SMS, ressalta o trabalho que vem sendo desenvolvido pela Secretaria de Saúde de Fortaleza, no sentido de conscientizar a população, quanto ao uso correto e racional de medicamentos e esclarecendo o motivo do usuário não se automedicar.

“A Secretaria de Saúde do Município, tem trabalhado muito com a promoção do uso correto dos medicamentos, muito nessa perspectiva sobre a conscientização das pessoas sobre os benefícios e dos riscos dos medicamentos, sobre a forma de utilizar corretamente o medicamento, as formas de guarda desse medicamento. Então a gente tem trabalhado através de campanhas. A gente tem uma semana de promoção do uso racional de medicamentos, que acontece sempre no mês de maio, geralmente na primeira, segunda semana de maio mas, é uma campanha que é extensiva a todo o ano. A gente trabalha com a população, conversando com as pessoas, com os nossos usuários, com as pessoas que estão nos nossos serviços de saúde, sobre a questão do medicamento, o porquê que é importante fazer o uso correto do medicamento, porque que é importante não se automedicar.”

Dentre os problemas causados pela automedicação, a intoxicação, em especial as causadas em crianças, estão relacionadas como as de maiores casos na procura por um atendimento especializado. Nívea Tavares explica que para casos como estes, existem centros de assistência toxicológica. Em Fortaleza existe um, no Instituto Dr. José Frota (IJF), onde o intoxicado recebe todo o suporte necessário para a recuperação de sua saúde.

“A gente tem um centro de assistência toxicológica, no IJF, que já é bem antigo, que já presta serviço pra população há algum tempo. No caso de intoxicação por uso de medicamentos, que é muito comum, principalmente em crianças, a gente tem muitos casos por uma guarda, às vezes incorreta, do medicamento no domicílio e a criança tem fácil acesso àquele medicamento e acaba achando bonitinho aquele medicamento, achando que ele é algum doce, alguma coisa do tipo. Então, é bem comum essa questão da intoxicação com crianças. Esse centro de assistência toxicológica, lhe dá esse suporte.”

Serviço

Centro de Assistência Toxicológica CEATOX IJF

  1. Barão de Rio Branco, 1816 – Centro, Fortaleza – CE,

Telefones: Telefone: 3255 5012 / 3255 5050 / 98439 7494.

Fonte: CMFor por André Barbosa Pinheiro – Foto: Agência Brasil