[PÚBLICOA SAÚDE] Especialista destaca a importância da notificação de casos de Monkeypox para evitar o alastramento da doença

Compartilhe Essa notícia

A Célula de Vigilância Epidemiológica Fortaleza, da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), divulgou nesta quarta-feira (24/08) o boletim epidemiológico sobre a situação da Monkeypox na Capital. Foram confirmados 37 casos em 26 bairros. Ao todo, já foram feitas 238 notificações de casos suspeitos, mas 62 foram descartadas e 139 seguem em investigação. São 139 casos em investigação em 55 bairros e em 40 bairros não houve registros. A Faixa etária com mais casos é a de 30 a 39 anos e 100% dos casos ocorreram em pessoas do sexo masculino.

Os bairros com casos confirmados em Fortaleza são os seguintes: Barra do Ceará (1), Álvaro Weyne (3), Moura Brasil (1), Centro (2), Farias Brito (1), Meireles (2), Aldeota (2), Joaquim Távora (2), Rodolfo Teófilo (1), Bela Vista (2), Montese (1), Vila União (1), Pici (1), Presidente Kennedy (1), Henrique Jorge (1), Conjunto Ceará I (2), Vila Pery (1), Jardim Cearense (1), Canindezinho (1), Conjunto Esperança (1), Cajazeiras (1), Messejana (2), Jangurussu (1) e Parque Santa Maria (1)

Para o professor Edson Teixeira, do Departamento de Patologia e Medicina Legal da Faculdade de Medicina e do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia de Recursos Naturais da Universidade Federal do Ceará (UFC), essa doença tem se espalhado pelo mundo afora, pelo Brasil e em Fortaleza também têm crescido o número de notificações. “É importante que se notifique e faça o isolamento dos casos confirmados. A doença não é letal como a Covid, mas é uma doença que merece cuidado, sobretudo para evitar a transmissão para outras pessoas. Vejo o cenário como espalhamento inicial, e é preciso ter atenção a esses casos e tentar fazer o máximo possível para evitar que o vírus tenha uma transmissão maior”, pontuou.

Ele observa que o sistema imunológico das pessoas tem capacidade de resolver a infecção, mas é uma infecção que traz incomodo, além de febre, calafrio, aparecimento das lesões, que são lesões que as vezes atingem o rosto. “É uma doença que é preciso evitar a todo custo, pois apesar de não ser letal, ela provoca muitos sinais e sintomas e a gente não quer que esse tipo de infecção se propague. Acho que a vigilância epidemiológica tem feito um bom trabalho de esclarecimento. É importante que tenhamos essa investigação para termos a certeza se os casos notificados são realmente de Monkeypox”, frisou.

Em caso do aparecimento de sintomas, que são os seguintes: febre de 1 a 3 dias com dor de cabeça intensa, linfadenopatia (inchaço dos gânglios), dor nas costas, mialgia (dor muscular) e astenia intensa (falta de energia), erupção cutânea, o paciente deve procurar uma unidade básica de saúde para que seja coletado material para exame laboratorial. O mesmo deve permanecer isolado até que o resultado seja conhecido. O paciente e as pessoas que com ele convivem deve fazer uso de máscara e higienizar as mãos com álcool gel. Em caso de confirmação as demais pessoas que mantiveram contato com o infectado também devem procurar fazer o exame para detectar se está ou não com a doença.

O que é

A Monkeypox é uma zoonose (doença transmitida de animais para humanos) do gênero Orthopoxirus, da família Poxviridae. É semelhante à varíola humana, erradicada em 1980 e com isso, a vacinação foi retirada do Programa Nacional de Imunização (PNI). Ocorre principalmente na África Central e Ocidental, nas proximidades de florestas tropicais e cada vez mais frequente em áreas urbanas. Os casos são registrados perto de florestas tropicais onde existem animais que carregam o vírus. Evidências de infecção pelo vírus da varíola dos macacos foram encontradas em animais, incluindo esquilos, ratos caçados na Gâmbia, arganazes, diferentes espécies de macacos e outros.

Como se dá a transmissão?

A transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com animal ou humano infectado.

A transmissão entre humanos ocorre principalmente através de grandes gotículas respiratórias.

Como as gotículas não podem viajar muito, é necessário um contato pessoal prolongado. O vírus

também pode infectar as pessoas por meio de fluidos corporais, contato com a lesão ou contato indireto com o material da lesão.

Municípios com mais casos suspeitos

Fortaleza 244

Juazeiro do Norte 22

Maracanaú 19

Crato 17

Caucaia 13

Russas 11

Sobral 11

Cascavel 8

Horizonte 6

Jati 6

Fonte: CMFor por Marcelo Raulino – Foto: Agência Brasil