[PUBLICOA SAÚDE] Novo exame de sangue pode detectar células de câncer em menos de duas horas; saiba mais

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O câncer muitas vezes se torna fatal ao progredir furtivamente sem causar quaisquer sintomas, o que resulta em um atraso no diagnóstico até que seja tarde demais para o tratamento. Os cânceres de ovário e gastroesofágico são notórios por esse avanço silencioso, o que geralmente significa que não são detectados até atingirem um estágio tardio. Num desenvolvimento emocionante, os investigadores desenvolveram um exame de sangue que é extremamente sensível e capaz de identificar uma proteína específica indicativa de células cancerígenas, permitindo potencialmente uma detecção mais precoce. Esse teste se destaca dos demais, pois não se concentra em apenas um tipo de câncer, não é proibitivamente caro e não requer procedimentos invasivos para obtenção de amostras de tecido. Em vez disso, é uma ferramenta de rastreamento de câncer abrangente e econômica que pode detectar um marcador de proteína chamado LINE-1-ORF1p a partir de uma pequena amostra de sangue em menos de duas horas.

No crescente campo da detecção de biomarcadores de câncer, muitos biomarcadores foram identificados, mas muitas vezes apresentam limitações significativas. Alguns necessitam de procedimentos cirúrgicos de biópsia, enquanto outros não são utilizados até o aparecimento dos sintomas, o que pode ser tarde demais para causar um impacto significativo. Além disso, muitos biomarcadores são proteínas que ocorrem naturalmente em humanos e variam de um indivíduo para outro, dificultando a interpretação dos resultados. Além disso, a maioria é específica para um tipo de cancro, limitando a sua utilidade. No entanto, a descoberta do LINE-1 ORF1p, um biomarcador identificado há cerca de dez anos, aumentou a esperança. O LINE-1 é um elemento repetitivo do DNA humano que pode se duplicar e inserir a cópia em outro local do genoma, e o ORF1p é uma proteína que ele produz, encontrada em níveis elevados nas células cancerígenas desde o início da doença. Os pesquisadores estão em busca de um teste sensível e preciso o suficiente para detectar ORF1p precocemente. A detecção deste biomarcador em pacientes antes que o câncer se espalhe pode salvar vidas.

Uma equipe internacional de pesquisadores, inclusive da Universidade Rockefeller (Nova York, NY, EUA), desenvolveu um ensaio que é rápido e barato, e capaz de detectar ORF1p no plasma – que compreende mais da metade do conteúdo do plasma humano. sangue. Ao usar uma tecnologia de detecção baseada em molécula única conhecida como Simoa, que utiliza nanocorpos personalizados – pequenos anticorpos de lhamas – este teste pode capturar e identificar com precisão a proteína ORF1p. Tem sido eficaz na identificação de ORF1p em amostras de sangue de pacientes com vários tipos de câncer, como câncer de ovário, gastroesofágico e colorretal, tudo por menos de US$ 3 e com retorno rápido. Quando a equipe analisou o plasma sanguíneo de 400 indivíduos saudáveis ​​de um biobanco, descobriu que 97-99% não tinham níveis detectáveis ​​de ORF1p. Curiosamente, dos cinco indivíduos que apresentaram níveis detectáveis, uma pessoa foi posteriormente diagnosticada com cancro da próstata avançado.

O teste também se mostra promissor como forma de monitorar a resposta do paciente aos tratamentos contra o câncer. Por exemplo, se um tratamento estiver funcionando, os níveis de ORF1p deverão diminuir. Isto foi observado num grupo de pacientes com cancro gastroesofágico, onde aqueles que responderam ao tratamento apresentaram uma diminuição na ORF1p para níveis que não foram detectados pelo teste. Portanto, o rastreamento desta proteína poderá um dia ser uma parte regular dos cuidados de saúde. O estudo não só mostra as capacidades do ensaio, mas também destaca o vasto potencial dos nanocorpos, que são estudados através da interatómica – um campo dedicado a compreender como a miríade de componentes dentro de uma célula, especialmente proteínas e ácidos nucleicos, interagem para formar complexos que governam o comportamento celular e podem levar a doenças quando essas interações dão errado.

“O ensaio tem um potencial inovador como teste de diagnóstico precoce para cancros letais”, disse Michael P. Rout, chefe do laboratório Rockefeller. “Esses tipos de instrumentos de detecção ultrassensíveis estão preparados para melhorar os resultados dos pacientes de maneiras transformadoras.”

Fonte: LabMedica – Foto: Getty Images/iStockphoto