[PÚBLICOA SAÚDE] O que é recomendado e o que deve ser descartado no tratamento da varíola causada pelo Monkeypox

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Vacina contra varíola tradicional pode ser medida protetora, mas medicamentos também são indicados para alguns casos

Apesar de a varíola transmitida pelo vírus Monkeypox ser considerada uma doença autolimitada, que geralmente se cura sozinha, em alguns casos pode haver a necessidade de um tratamento medicamentoso específico, sobretudo entre pessoas imunossuprimidas, segundo especialistas e órgãos governamentais de saúde. Já são mais de 1.000 casos confirmados da doença fora da África, onde ela é endêmica, que vem se espalhando pelo mundo nas últimas semanas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por isso, ao aparecer os primeiros sintomas, mesmo que suspeitos, é importante procurar atendimento médico para prescrição da melhor conduta, afirma a diretora do Laboratório de Virologia do Instituto Butantan, Viviane Botosso.

“Se a pessoa já começou a desenvolver os primeiros sintomas, o ideal é procurar um serviço médico, para um diagnóstico assertivo diferenciando de outras doenças que podem ser clinicamente semelhantes e podem confundir. Em caso confirmado, é necessário isolar o paciente e iniciar o tratamento preconizado”, diz Viviane.

Os principais sintomas atribuídos ao Monkeypox são febre, dores no corpo e na cabeça, calafrios e exaustão, que podem durar em média três dias. Eles são seguidos de lesões na pele que evoluem em cinco estágios, conhecidos como mácula, pápulas, vesículas, pústulas e finalmente crostas, estágio final quando caem. É principalmente o contato com elas que causa a transmissão do vírus para outras pessoas.

Vacina pode proteger

Historicamente, a vacinação contra a varíola humana (Smallpox) também se mostrou protetora contra o Monkeypox. Embora uma vacina conhecida como MVA-BN, e um tratamento específico com o antiviral Tecovirimat tenham sido aprovados para o Smallpox em 2019 e em 2022, respectivamente, nos Estados Unidos, essas contramedidas ainda não estão amplamente disponíveis. Ressalta-se também que populações em todo o mundo com idade inferior a 40 anos nunca foram imunizadas, pois a vacinação em massa para varíola foi descontinuada com a erradicação da doença na década de 1980, explica o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês).

A vacina mais atual contra o Smallpox, indicada também contra o Monkeypox, é a da farmacêutica dinamarquesa Bavária Northean, que produz o imunizante baseado no vírus atenuado, não replicativo, explica Viviane.

“É uma vacina de terceira geração, que foi produzida para o combate ao Smalllpox, mas também está registrada para uso em casos de Monkeypox. Existe essa vacina, mas o que não há é a rapidez para se fazer uma produção em larga escala. Por isso, não existe um grande número de doses que seja suficiente para uma distribuição em escala mundial”, reitera a virologista.

Possíveis tratamentos

Segundo o CDC, atualmente não há um tratamento específico aprovado para infecções por vírus Monkeypox. No entanto, antivirais desenvolvidos para pessoas com a varíola humana (Smallpox) e outras doenças virais podem ser benéficos nestes casos.

Um deles é o próprio Tecovirimat (também conhecido como TPOXX), medicamento antiviral aprovado pela Food and Drug Administration dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) em adultos e pacientes pediátricos com peso mínimo de 3kg.

Outro antiviral indicado é o Cidofovir (também conhecido como Vistide), medicamento aprovado pelo FDA para o tratamento da retinite por citomegalovírus (CMV), complicação oftalmológica que afeta pacientes com HIV/AIDS. Mas a recomendação para o uso é somente se os casos da doença se multiplicarem a ponto de configurar um surto.

O Brincidofovir (também conhecido como Tembexa) é outro medicamento antiviral que foi aprovado pelo FDA em 4 de junho de 2021 para o tratamento contra vários vírus do gênero Orthopoxvirus (como o Smallpox e o Monkeypox). No caso do Smallpox, seu uso está aprovado também para pacientes pediátricos.

O órgão regulador norte-americano criou protocolos para o uso destes antivirais em pacientes infectados pelo Monkeypox e um específico para ajudar a facilitar o uso do Brincidofovir como tratamento. Todos eles têm efeitos colaterais que precisam ser analisados, afirma o CDC.

Medida não recomendada

Ainda que não haja um tratamento específico, há recomendações do que não fazer em infecções virais no geral e que valem para os casos de Monkeypox. “Em casos de infecções virais, recomenda-se evitar o ácido acetilsalicílico. Em casos de febre desta origem, escolha outro tipo de medicamento que não esse”, conclui Viviane.

Fonte: Instituto Butantan – Foto: divulgação