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Carlo Acutis será anunciado santo durante o Jubileu dos Adolescentes, que será realizado de 25 a 27 de abril de 2025. A cerimônia de canonização de Carlo Acutis está prevista para domingo, 27 de abril de 2025. O Papa anunciou a novidade na manhã desta quarta-feira (20/11), ao final da Audiência Geral, sob os aplausos na Praça de São Pedro.
Em 23 de maio, o Papa Francisco aprovou o decreto para a canonização de Carlo Acutis, o jovem leigo apaixonado pela Eucaristia e pela tecnologia da informação, descrito por muitos como “um influenciador da santidade”. No Consistório ordinário de 1º de julho, ele havia anunciado que seria elevado às honras dos altares “em uma data a ser determinada”. O bispo de Assis, Domenico Sorrentino, havia antecipado nos últimos meses que a Providência “queria que a proclamação de sua santidade, a ’canonização’, ocorresse no ano jubilar que começará dentro de alguns meses”.
Quem é Carlo Acutis?
Nascido em Londres em 1991 e tendo vivido em Milão, Carlo faleceu em 2006 em Monza de uma leucemia fulminante. Foi declarado Venerável no verão de 2018. Em 6 de abril passado, seus restos mortais foram transladados para o Santuário do Despojamento em Assis, a pedido do arcebispo de Assis-Nocera Úmbria-Gualdo Tadino, Dom Domenico Sorrentino.
“Tinha uma grande abertura aos outros, sobretudo aos mais necessitados, sem nenhuma distinção de raça ou religião”, afirma o postulador de sua Causa de Beatificação, o jornalista do L’Osservatore Romano Nicola Gori.
Apóstolo na internet
Carlo foi sempre um jovem normal, com hábitos semelhantes aos seus pares, amava estudar, jogar futebol e estar com os outros. “Porém – ressalta Gori – descobriu um grande amigo, Jesus. E esse precioso tesouro queria compartilhá-lo com todos, tornando-se assim um apóstolo. Como? Por meio do que mais gostava: tecnologia da informação”.
Em virtude disso, realizou uma exposição sobre os milagres eucarísticos, para compartilhar com todos a alegria de um encontro concreto com Jesus.
O gênio
Gori é autor de “Um gênio da ciência da computação no céu”, biografia de Acutis publicada pela Livraria Editoria Vaticana (LEV), acompanhada pelo documentário produzido pela Officina della Comunicazione e Vatican Media intitulado “La mia autoestrada per il cielo”.
“Ele era um gênio – diz Gori – porque mesmo não tendo completado os estudos especializados, era capaz de criar programas de computador melhor que os acadêmicos e de usar as mídias sociais com o objetivo de evangelização e promoção humana”.
As obras
Os pilares de sua espiritualidade eram Nossa Senhora e a Eucaristia, que encontrava todos os dias no altar e também na busca pelos pobres. Em casa, pedia para colocar a sobra de comida em recipientes, para então levá-la aos desabrigados locais.
“À noite – conta Gori – ele costumava ir com os pais pelas ruas de Milão, para distribuir cobertores e refeições quentes aos desabrigados”.
Dava a justa medida ao dinheiro e se zangava quando queriam comprar-lhe um segundo par de sapatos. Além disso – acrescenta o postulador – “ele tinha o hábito de juntar as ajudas semanais que lhe eram dadas pela família, para entregá-las aos necessitados da Obra de São Francisco em Milão”.
Imigrante convertido
Entre as tantas histórias, há também aquela sobre os porteiros de alguns imóveis próximos a sua escola. “Quando ele saía de bicicleta de manhã – conta Gori – ele parava para conversar com essas pessoas, sobretudo imigrantes pertencentes a outras religiões”.
E depois tem a história sobre o batismo do empregado de Carlo, vindo das Ilhas Maurício, e no centro do processo de beatificação. “O homem – especifica o postulador – declarou que foi convertido por Carlo, a partir do testemunho e da coerência de vida deste jovem, mais do que de palavras”.
Sofrimento
Tão logo baixou o hospital, disse aos pais: “Ofereço os sofrimentos que deverei sofrer ao Senhor, pelo Papa e pela Igreja, para não ir ao Purgatório e ir direto ao céu”. E diante dos sofrimentos, procurava minimizar. “Há pessoas que sofrem muito mais do que eu”, respondia às enfermeiras que lhe perguntavam como ele estava. E acrescentava: “não acorde a mãe que está cansada e se preocuparia mais”.
Restos mortais translados para Santuário do Despojamento
Antes de seus restos mortais serem levados à Igreja Santa Maria Maior, em Assis, em 6 de abril deste ano, estiveram na Catedral de São Rufino, onde pela primeira vez foi executada a canção dedicada a Carlo “Non io, ma Dio”, de autoria do artista Marco Mammoli – autor de ‘Emmanuel’, o hino da Jornada Mundial da Juventude do ano 2000 – junto ao maestro Michele Rosati.
A mãe de Carlo, Antonia Salzano, distribuiu aos presentes um kit de oração em recordação do filho e de seu amor pela Eucaristia e por Nossa Senhora, na esperança de que possa servir para estimular a reflexão na era da internet.
Já na Igreja Santa Maria Maior, no Santuário do Despojamento, a tumulação realizou-se diante de centenas de fiéis ao final da Missa presidida por Dom Sorrentino, após a leitura e a assinatura de um documento que foi sigilado e inserido dentro do túmulo, para testemunhar a oficialidade da transladação. Junto com São Francisco, é um cantor da vida e do bem e atrai jovens e testemunhas do Evangelho, disse o bispo de Assis.
Fonte: Vatican News – Foto: divulgação