Sua cidade está na lista? As 20 mais seguras do Brasil segundo dados oficiais

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Enquanto boa parte do noticiário nacional segue repetindo os números de sangue de sempre, um levantamento recém-divulgado traz um retrato bem diferente do país: existem municípios brasileiros que, ano após ano, vêm conseguindo o que parece impossível em boa parte do território — reduzir a violência letal a níveis próximos aos de nações europeias.

O novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta semana, cruzou os dados de Mortes Violentas Intencionais (MVI) — categoria que soma homicídios dolosos, latrocínios, lesões seguidas de morte e mortes por intervenção policial — de todos os municípios do país com mais de 100 mil habitantes. O resultado é um ranking de 20 cidades que, em 2025, praticamente driblaram a estatística que assombra o restante do Brasil.

O topo da lista

Na ponta mais segura do país está São Caetano do Sul, no ABC paulista, com uma taxa de apenas 1,2 morte violenta intencional por 100 mil habitantes — um número que rivaliza com países historicamente pacíficos. Logo atrás vêm Tubarão (SC), Salto (SP), Santa Bárbara d’Oeste (SP) e Jandira (SP), todas com índices abaixo de 3.

As 20 cidades mais seguras do Brasil (taxa de MVI por 100 mil habitantes)

#

Cidade

Estado

Taxa

1

São Caetano do Sul

SP

1,2

2

Tubarão

SC

1,7

3

Salto

SP

2,1

4

Santa Bárbara d’Oeste

SP

2,1

5

Jandira

SP

2,5

6

Blumenau

SC

2,6

7

Jaraguá do Sul

SC

3,0

8

Indaiatuba

SP

3,0

9

Valinhos

SP

3,0

10

Itatiba

SP

3,1

11

Passos

MG

3,4

12

Pelotas

RS

3,6

13

Santana de Parnaíba

SP

3,7

14

Varginha

MG

4,2

15

Atibaia

SP

4,2

16

Americana

SP

4,4

17

Franca

SP

4,4

18

Lavras

MG

4,5

19

Botucatu

SP

4,6

20

Barretos

SP

4,7

São Paulo dispara na frente

Um dado chama atenção: de cada 20 cidades mais seguras do país, 11 estão em território paulista — mais da metade do ranking. Santa Catarina e Minas Gerais aparecem com três representantes cada, enquanto Rio Grande do Sul e Paraná completam a lista com uma cidade cada.

O interior paulista, historicamente associado a polos industriais e agrícolas de renda per capita elevada, consolida-se como uma espécie de “cinturão de segurança” dentro do mapa nacional da violência.

Para efeito de comparação, Brasília ocupa apenas a 74ª posição entre os municípios mais seguros, com taxa de 9,6 mortes violentas por 100 mil habitantes — mais de sete vezes o índice de São Caetano do Sul.

O que essas cidades têm em comum

Especialistas ouvidos por veículos que cobriram o tema apontam um conjunto recorrente de fatores nesses municípios: investimento continuado em iluminação pública, policiamento comunitário, integração de dados entre polícia civil e militar, e — talvez o fator mais decisivo — baixa desigualdade social combinada a mercados de trabalho aquecidos, o que reduz o espaço de atuação de facções criminosas.

Não é coincidência que praticamente todas as cidades do ranking sejam de porte médio, com economias diversificadas e índices sociais historicamente positivos. A relação entre bem-estar econômico e segurança pública aparece, mais uma vez, como um padrão difícil de ignorar.

O contraponto: onde a violência ainda avança

Enquanto essas 20 cidades avançam, o anuário também mostra o oposto do ranking. Maranguape (CE) segue como o município mais violento do país, com taxa de 100,3 mortes violentas por 100 mil habitantes — um salto em relação ao ano anterior. Três cidades baianas — Eunápolis, Porto Seguro e Simões Filho — figuram entre as cinco mais violentas do Brasil, reforçando o contraste regional que o levantamento evidencia.

O retrato que emerge dessa comparação é claro: a distância entre a cidade mais segura e a mais violenta do país passa de 80 vezes — uma das maiores disparidades de segurança pública já registradas em uma única edição do estudo.


Dados: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Taxas referentes a Mortes Violentas Intencionais (MVI) por 100 mil habitantes em 2025, para municípios com mais de 100 mil habitantes.

Foto: ia